domingo, 4 de janeiro de 2009

A MÚSICA ROCK NOS ANOS SESSENTA - Dr. Samuelle Bacchiocchi - Prof. da Andrews University.

PARTE 2
A MÚSICA ROCK NOS ANOS SESSENTA - Dr. Samuelle Bacchiocchi - Prof. da Andrews University.
Vários fatores contribuíram para a popularização da música rock nos anos sessenta. Esta foi uma das décadas mais tempestuosas na história americana moderna. A mortandade na Guerra do Vietnã, o movimento “Deus está morto”, o surgimento do movimento hippie, assassinatos políticos, a disseminação das drogas que alteravam as mentes, o medo da guerra nuclear, os violentos protestos em muitos campi de faculdades, suspeitas das instituições tradicionais, e outros fatores, fizeram desta época uma época de grande desilusão entre os jovens.
A Música de Jesus. A terreno fértil da turbulência dos anos sessenta facilitou o rápido crescimento da música rock secular por um lado e o movimento de Jesus por outro lado. Muitos jovens que se haviam desiludido com a cultura da droga e com as instituições políticas, começaram a buscar algo mais profundo. Uma vez que eles haviam abandonado há muito tempo
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as igrejas tradicionais de seus pais, começaram a desenvolver seus grupos religiosos de estudo. Tornou-se bacana entre os jovens “experimentar Jesus” como anteriormente haviam experimentado as drogas.
Para apoiar a nova experiência religiosa, o movimento de Jesus introduziu a então denominada “Música de Jesus”, que depois ficou conhecida como Música Cristã Contemporânea. Esta música era uma versão purificada do rock secular, a qual se acrescentaram letras cristãs. Larry Norman é considerado um dos primeiros inovadores. Ele formou a banda de rock chamada “People”, gravando seu primeiro álbum Upon This Rock, que é considerado por muitos como a primeira gravação de música rock “cristã.” Norman se tornou controverso entre os evangélicos por causa de suas letras diretas que não soavam bem para a fé Cristã. A então denominada música rock cristã, era inspirada amplamente pelo rock secular, que naquela época era promovido com sucesso, especialmente pelos Beattles.
O Papel dos Beatles. Os Beatles são considerados como os músicos mais importantes a alcançarem o cenário do rock durante os anos sessenta. Eles eram quatro jovens ingleses com botas de salto alto, trajes pequenos, e com cortes de cabelo que pareciam uma tigela. Quando eles se apresentaram no Ed Sullivan Show em fevereiro de 1964, 68 milhões de pessoas (uma das maiores audiências da TV na história) sintonizaram suas TVs para assistirem sua performance. Inicialmente eles não se apresentaram de forma tão vulgar e imoral como haviam ficado conhecidos na Inglaterra. Suas canções como “Love Me Do,” “She Loves You,” e “I Wanna to Hold Your Hand”, pareciam ser bastante inofensivas. Os pais sentiram que podiam confiar suas filhas a eles, pois tudo o que eles queriam fazer era segurar as suas mãos.
Os Beatles foram tremendamente bem recebidos na América. Suas canções não saíam das listas de mais vendidos tanto na América quanto da Inglaterra. Pessoas de todas as idades abriram seus corações para os quatro fabulosos que pareciam ser um grupo de rock inocente, divertido. Mas demorou muito para que os Beatles revelassem suas verdadeiras cores.
No verão de 1966 John Lennon fez sua declaração controversa: “O cristianismo vai passar; vai desaparecer e encolher, não preciso discutir sobre isso; tenho razão e vamos provar que estarmos certos. Exatamente agora nós já somos mais populares que Jesus.” 14 Deste esse tempo em diante os Beatles se tornaram fortemente envolvidos pelas drogas e pelo transcendentalismo oriental.
Lennon admitiu que durante três anos esteve usando constantemente LSD. Ele acreditava que o LSD pudesse conduzir as pessoas à utopia pela qual estavam buscando. Os Beatles freqüentemente passavam a noite inteira sob a
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influência das drogas durante suas sessões de gravação. Destas sessões veio o álbum chamado Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club, que tornou manifesto o compromisso dos Beatles com as drogas.
Ao final de 1967, a maioria dos músicos de rock estavam usando LSD, chamado comumente de “ácido”. A lista incluía John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Pete Townsend, Steve Winwood, Brian Wilson, Donovan, Cat Stevens, Jim Morrison, Eric Clapton, e Jimi Hendrix.
Na sua história da música rock intitulada Hungry for Heaven: Rock and Roll Search for Redemption, Steve Turner escreve: Este [LSD] era a pastilha da estrada de Damasco. As pessoas começavam a viajar como materialistas empedernidos buscando um pouco de diversão, e emergiam com seus egos rasgados e esmagados, inseguros a princípio se veriam a Deus ou se eles eram deuses”. 15
A associação entre a música rock e a cultura da droga foi influenciada especialmente pelo Professor da Universidade de Harvard Timothy Leary, autor de The Psychedelic Reader (O Leitor Psicodélico) e The Psychedelic Experience (A Experiência Psicodélica). Era amigo íntimo dos Beatles, a quem chamava “Os Quatro Evangelistas.” Leary interpretou os efeitos do LSD sobre si mesmo como “sua experiência religiosa mais profunda” de sua vida e fundou a “League of Spiritual Discovery”, a qual fez campanha para o uso legal do LSD como o “catalisador sacramental para a nova consciência”. Em uma convenção de psicólogos na Filadélfia ele declarou: “As drogas são a religião do século XXI. Procurar religião sem drogas é como estudar astronomia a olho nu”. 16
O impacto sobre o público americano foi surpreendente. De repente a maconha, a cocaína, e o LSD eram “legais”, a coisa “in” a fazer. Canções como Lucy in the Sky of Diamonds, supostamente um acróstico para o LSD, poderia ser escutado melhor por uma pessoa que estivesse drogada. Viajar no LSD se tornou o meio de passagem ao cenário do rock. A música de Jimi Hendrix, The Grateful Dead, e Cream ressoaram com a consciência do LSD.
Para alguns grupos de rock o LSD se tornou mais que uma viagem para uma vaga ‘experiência psicodélica’. Estava “desajustando as mentes, arrancando demônios e monstros daquilo que pareciam ser as profundezas do subconsciente.” 17 Eric Clapton recorda-se de uma experiência alucinante em São Francisco enquanto tocava no palco com o grupo Cream. Ele sentiu “sua guitarra aparentemente ressonando com o mundo dos espíritos”. 18 Drogas e ritmo se tornaram a base do movimento rock, porque ambos funcionavam como estimulantes para experimentar um “clímax espiritual.”
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A Rejeição do Cristianismo. As visões teológicas dos Beatles se tornaram mais claras pelo que escreveram durante os últimos cinco anos (1965-1970). Quando eles voltaram da Índia em 1965, comportaram-se como se tivessem tido algum tipo de experiência de “conversão.” Porém, sua “conversão” não aconteceu na estrada de Damasco, mas no rio Ganges. Lá eles descobriram que o LSD revelava uma verdade supostamente escondida às pessoas, isto é, que o mundo inteiro é uma imensa divindade celestial e todos nós somos potencialmente divinos. Isto significa que as religiões monoteístas como o Cristianismo, o Judaísmo, e o Islã eram “out”; ao invés disso, as religiões panteístas como o Hinduísmo, o Budismo, e a Nova Era eram “in”.
“Na canção ‘I Found Out,” as letras são muito ousadas: ‘Não existe nenhum Jesus vindo do céu. Agora que descobri eu sei que posso chorar.’ Ao longo da canção Lennon declara que viu através da religião ‘de Jesus até Paulo’ e que religião era simplesmente um tipo de droga. Na mesma canção ele declara, ‘Deus é meramente um conceito pelo qual medimos nossa dor.’
Em outra canção ‘God’, Lennon declarou que ele não acreditava na Bíblia, em Jesus, em magia, em Buda, no Ioga, ou até mesmo nos Beatles; ‘Eu só acredito em mim, em Yoko [sua esposa] e eu, e isso é realidade.’ Nas palavras finais da canção ‘God’, ele instruiu seus milhões de ouvintes, ‘E então queridos amigos, vocês só têm que continuar, o sonho acabou.’” 19 É evidente que para Lennon o Cristianismo é apenas um sonho fantástico que não oferece esperança para o futuro. A verdade é que suas canções não têm nenhuma mensagem de esperança – apenas um convite para experimentarem os prazeres temporários do momento. Às vezes Lennon era brutalmente blasfemo, atacando abertamente a Cristo, ao cristianismo e ao clero .
Paul McCartney, um dos componentes dos Beatles, anunciou, publicamente, em 1965: “Nenhum de nós acredita em Deus.” Seu assistente de imprensa oficial, Derek Taylor disse: “É incrível! Aqui estão quatro garotos de Liverpool. Eles são rudes, são profanos, são vulgares, e conquistaram o mundo. É como se tivessem fundado uma nova religião. Eles são completamente anti-cristãos. Quero dizer, também sou anti-cristão, mas eles são tão anti-cristãos que até me chocam, o que não é uma coisa fácil”. 20
Quando os roqueiros viraram as costas para o Cristianismo, engoliram ensinamentos hindus, especialmente os do guru de Maharishi Mahesh Yogi, fundador do Movimento de Regeneração Espiritual. No ensinamento hindu, a música rítmica liberta as almas aprisionadas no mundo da ilusão, habilitando-as a experimentar uma “consciência de deus”. O grupo de rock “The Who”, que adotou ensinamentos hindus, usou sua música como uma
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descrição alegórica de uma viagem da escuridão espiritual para a “realização de deus.”
A atração dos gurus indianos não durou por muito tempo para os músicos de rock. A fabulosa riqueza dos gurus, o número de Rolls-Royces, e o seu tratamento abusivo às mulheres, tudo revelava que eles eram menos que deuses. Esta desilusão pode ter contribuído para a obsessão com o Satanismo, que se tornou característico nos anos setenta.
É impossível calcular o impacto da música dos Beatles na civilização ocidental. Suas músicas e as letras promoviam filosofias caracterizadas pelo ateísmo, niilismo, rebelião, surrealismo místico, satisfação imediata, e uma vida construída nos altos e baixos da cultura da droga.
Um artigo na revista Time aponta, corretamente, que há mais na música dos Beatles do que os olhos podem ver: “A linha de batalha envolve muito mais que sua música. Envolve uma cultura de drogas, um tema anti-Deus, uma posição anti-americana, e pró-revolucionária. Envolvia um reconhecimento de que Lennon era mais que um músico”. 21 Como no caso de Elvis Presley, Lennon se tornou para os fãs do rock um ícone sobre-humano, um semideus. O culto aos heróis do rock é um aspecto significativo do cenário do rock a ser considerado no capítulo 4.
A Moda das Drogas e o Acid Rock. O fenômeno da moda das drogas ganhou impulso na última parte dos anos sessenta e tem continuado até nossos dias. De 1966 a 1970, o cenário das drogas e dos hippies influenciou a batida propulsora, hipnótica da música rock. Uma nova forma de música rock, conhecida como Acid Rock, começou a contaminar os ares em 1967. A idéia desta música era recriar a ilusão das “viagens” do LSD (ácido lisérgico dietilamina) por intermédio da música e do uso de luzes.
O acid rock era mais lento e apático que o hard rock e era usado tanto para induzir a uma “viagem psicodélica” quanto aumentar ainda mais a experiência ao tomarem essas drogas. A cultura das drogas da música rock daquela época fez as suas vítimas. A overdose de drogas é responsável pela morte de astros famosos do rock tais como Elvis Presley, Jimi Hendrix, John Bonham, Jim Morrison, Sid Vivious, Janis Joplin, Bon Scott, Keith Moon, Bob Marley, e outros.
A morte de Jimi Hendrix no dia 17 de setembro de 1970, causou uma tristeza de comoção mundial. Para alguns fãs do rock a morte de Jime era como se fosse a morte do próprio Jesus. Ele foi considerado como o guitarrista mais influente, dinâmico, e musicalmente competente de seu tempo. Para ganhar a atenção da multidão, Hendrix elevava sua guitarra à boca, arrancando as cordas
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com seus dentes e então sensualmente afagava a guitarra. Ele insinuava uma relação sexual usando a guitarra como sua parceira sexual.
No auge de sua apresentação, Hendrix destroçava sua guitarra e o amplificador, embebendo-os em fluido de isqueiro. Entre a fumaça e as chamas ele caminhava para fora do palco. Seu empresário carregava amplificadores, guitarras, e alto-falantes sobressalentes, porque Hendrix destruía pelo menos dois alto-falantes em cada show.
Hendrix era conhecido especialmente por seu estilo de vida orientado às drogas, expresso em canções tais como “Purple Haze.” Ele foi preso em várias ocasiões por porte de narcóticos. O uso da música rock e drogas eram para Hendrix um tipo de experiência espiritual – um modo de se ligar a um falso mundo espiritual. As drogas que ele glorificava eventualmente tiraram sua vida. Ele tinha acabado de se apresentar em um enorme concerto em Isle of Wright na Grã Bretanha. Na noite de 17 de setembro de 1970, ele ficou no apartamento de uma garota alemã chamada Monika. Eles fumaram maconha juntos até às 3:00 da madrugada, quando foram juntos para cama. Às 10:20 da manhã Monika encontrou Henrix deitado de bruços, asfixiado em seu próprio vômito após uma overdose de droga.
A lição da morte de astros do rock tais como Presley e Hendrix é clara. A riqueza e a fama acumuladas pelos super-astros da cultura rock não provê paz interior e nem propósito na vida. A razão é que a paz interior e harmonia são encontradas, não por meio da magia das drogas ou da excitante música rock, mas através da Rocha Eterna que nos convida a vir a Ele e achar descanso n’Ele (Mateus 11:28).
Durante esta era as drogas tornaram-se o meio para trazer a cultura do rock à esfera da religião. Infelizmente foi uma religião profana, dominada pelo Príncipe do Mal. As sementes semeadas nos anos sessenta frutificaram nos anos setenta, enquanto a música satânica era produzida por numerosos músicos de rock.
À luz dos fatos que acabamos de revelar sobre a música rock nos anos sessenta, deixe-nos colocar novamente nossa intrigante questão: Pode a música rock, que nos anos sessenta rejeitou o cristianismo, glorificou a perversão sexual, promoveu as drogas, que foram responsáveis pela perda das vidas de alguns de seus heróis, ser adotada legitimamente e transformada em um meio apropriado para adorar a Deus e proclamar o Evangelho? Ao respondermos a esta pergunta, é importante nos lembrarmos que o meio afeta a mensagem. Se o meio é associado com a rejeição do cristianismo, perversão sexual e drogas, ele não pode ser legitimamente usado para comunicar as afirmações morais do Evangelho.
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A MÚSICA ROCK NOS ANOS SETENTA - Dr. Samuelle Bacchiocchi - Prof. da Andrews University.

A MÚSICA ROCK NOS ANOS SETENTA - Dr. Samuelle Bacchiocchi - Prof. da Andrews University.
A rejeição aberta ao Cristianismo, a desilusão dos ensinamentos hindus, e o uso das drogas para induzir a uma “experiência psicodélica”, cada um destes, a seu modo, contribuiu para o surgimento de uma música supersticiosa e satânica que dominou os anos setenta e continuou até nossos dias.
A Década da Música Satânica. Em seu livro Confronting Contemporary Christian Music, Hubert Spence, professor e presidente da Foundations Schools, fornece uma lista informativa dos grupos e títulos de canções que saíram durante os anos setenta e início dos anos oitenta com claras referências ao inferno e a Satanás. Ele escreve: “Primeiro nos títulos, havia ‘Go to Hell’ (Vá Para o Inferno) por Alice Cooper; ‘Highway to Hell’ (Rodovia para o Inferno) do AC/DC; ‘Hell Ain’t a Bad Place to Be;’ (O Inferno Não é Um Lugar Ruim Para Estar) ‘Good Day in Hell’ (Bom Dia no Inferno) pelos the Eagles. Alguns títulos de canções envolvem Satanás, Lúcifer, ou o Diabo: ‘Their Satanic Majesty’s Request;’ (O Pedido da Sua Majestade Satânica); ‘Dancing with Mr. D’ (Dançando com o Sr. D.); ‘Sympathy for the Devil’(Simpatia pelo Diabo) – todas dos Rolling Stones. Nesta última canção, ‘Sympathy for the Devil’, o próprio Lucifer fala e pede ‘cortesia’ e ‘simpatia’ de todos que se encontram com ele. Outros títulos de canções indicam temas de bruxas, feiticeiros, e encantadores, os quais são todos centralizados no oculto. Outras canções incluem ‘The Wizard’ (O Feiticeiro) do Black Sabbath, e ‘Rhiannon’ por Fleetwood Mac (dedicado a uma bruxa do País de Gales do mesmo nome)... Outras canções tratam de sacrifício humano, como uma do AC/DC intitulada ‘If you Want Blood, You’ve Got It.’ (Se você Quer Sangue, Você Terá.) O tema reapareceu na canção do Black Sabbath, ‘Sabbath, Bloody Sabbath’ (Sábado, Sábado Sangrento).” 22
Algumas das músicas rock são diretamente dirigidas a Satanás. Brian Johnson do AC/DC canta sobre Satanás matando impiedosamente as pessoas na canção “Hell’s Bells,” (Sinos do Inferno), dizendo,: “Eu sou um trovão retumbante, a chuva que cai, estou chegando como um furacão; meu relâmpago está flamejando no céu; você ainda é jovem mas vai morrer. Eu não levo prisioneiros, não pouparei nenhuma vida; ninguém vai lutar. Eu tenho meu sino, vou levá-lo ao inferno; Vou pegar você, sim. Satanás vai te pegar, os sinos do inferno, sim, os sinos do inferno.” Outro cantor do AC/CD, Bon Scott, canta sobre Satanás no sucesso “Highway to Hell,”(Rodovia para o Inferno), dizendo,: “Ei, Satanás olhe pra mim, Eu estou no caminho para a Terra Prometida, estou em uma rodovia para o inferno.” A canção “Bohemian Rhapsody” (Rapsódia Boêmia) gravada pelo grupo homossexual “Queen”, tem uma linha que diz: “Belzebu tem um demônio separado para mim.”
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Chris De Burg mistura blasfêmia com ocultismo em suas canções. A capa de seu álbum “Chris De Burg Live S.A.,” inclui a cruz cristã e o símbolo satânico da cruz invertida. Sua canção, “Spanish Train” (Trem Espanhol) termina com as palavras “O diabo ainda engana e ganha mais almas. Quanto ao Senhor, bem, ele está apenas fazendo o melhor que pode.”
Iron Maiden tem sido criticado por fazer mais músicas satânicas do que qualquer outra banda. A maior parte de suas letras são obcecadas com simbolismo infernal. O álbum “The Number of The Beast” (O Número da Besta), que é anunciado como sendo prensado nas chamas do inferno, inclui uma canção chamada “666”. A faixa de abertura de “Moonchild” (Filho da Lua) é supostamente cantada pelo diabo.
Influência Satânica. Como mencionado acima, o grupo Fleetwood Mac tinha um sucesso chamado “Rhiannon”, que era dedicado a uma bruxa do País de Gales. Stevie Nicks, o vocalista principal, às vezes dedicava canções de um concerto a “todas as bruxas do mundo”. Suas tendências satânicas são evidentes nas palavras de encerramento da canção “Salve, grande sombra de demônio, grande sombra de dragão.”
O nome do grupo “Black Sabbath” se refere a um ritual ocultista, que eles se tornaram conhecidos por apresentarem em alguns de seus concertos. Seu primeiro álbum, “Black Sabbath” apresentava uma feiticeira na capa. Seus álbuns incluem “We Sold Our Souls for Rock and Roll” (Nós Vendemos Nossas Almas pelo Rock and Roll), com uma capa apresentando o “S” satânico e “Sabbath, Bloody Sabbath” (Sábado, Sábado Sangrento), com uma capa mostrando um ritual satânico nu adornado com o número do anticristo, 666.
O historiador de rock Steve Turner descreve este período, dizendo: “Como nenhum outro grupo de rock antes deles, os Rolling Stones invocaram o demônio, intitulando um álbum ‘Their Satanic Majesty’s Request.’ Eles até mesmo invocaram a pessoa de Lúcifer e, em muitas ocasiões, tocaram em associação ao oculto. Em um especial de TV Jagger arrancou sua camisa preta para revelar uma tatuagem do diabo em seu peito”. 23
A música rock deste período também se relacionava com atividades de ocultismo. Estas incluíam a vida consciente após a morte na canção de Jefferson Starship “Your Mind has Left Your Body,” (Sua Mente Deixou Seu Corpo), e a canção de Gary Wright “Dream Weaver.” (Fabricante de Sonhos). A adoração ao sol está presente em canções tais como “Light the Sky on fire” (Ilumine o Céu com fogo) por Jefferson Starship. Também havia uma canção chamada “God the Sun” (Deus o Sol) cantada pelo grupo América.
Também pode ser vista a influência Satânica da música rock naquelas canções que encorajavam o suicídio. Por exemplo, havia a canção “Don’t Fear the Reaper” (Não Tema o Ceifeiro) cantado pelo Blue Oyster Cults; “Why Don’t You Die Young and Stay Pretty” (Porque Você Não Morre Jovem e Permanece Bela) pelo Blondie; e “Homocide” pelo Grupo 999 (que é 666 invertido).
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Outras canções promovem o abuso ou até mesmo o assassinato de crianças. Dead Kennedy gravou uma canção chamada “I Kill Children.” (Eu Mato as Crianças.) Parte da letra diz: “Deus me disse que o esfolasse vivo, eu mato as crianças, adoro vê-las morrer. Eu mato as crianças e faço suas mamães chorarem. Esmaga-las embaixo do meu carro, quero ouvi-las gritar; dar a elas um doce envenenado, para acabar com seu dia das bruxas”. O mesmo tema é encontrado nas canções as “Children of the Grave” (Crianças da Sepultura) do Black Sabbath e “Hell is for Children” (O Inferno é para as Crianças) de Pat Benatar.
Talvez um dos temas Satânicos mais asquerosos encontrados na música rock deste período, é a idéia de fazer sexo com demônios. “Muitos acreditavam que um demônio em forma feminina tinha poderes de união sexual com os homens durante seu sono. O sucesso de 1978 ‘Undercover Angel’ (Anjo Disfarçado) lidava com esta crença. Terry Gibb em seu sucesso de 1980 ‘Somebody’s Knocking’ (Alguém está Batendo), promovia relações homossexuais com demônios. E a canção de Alice Cooper ‘Cold Ethyl’ (Ethyl Fria) promovia a necrofilia, ou a coabitação com um cadáver mantido no congelador”. 24 E Alice Cooper também canta uma canção chamada “I Love the Dead” (Eu Amo os Mortos), na qual uma melodia evocativa fala abertamente e graficamente sobre se envolver com sexo com um cadáver.
Símbolos Satânicos. O profundo envolvimento de alguns astros de rock com o oculto e a adoração satânica é refletida no uso por eles de símbolos satânicos. Como a Cruz e a água servem como símbolos do Cristianismo, da mesma forma os adoradores de Satanás desenvolveram seus próprios símbolos, que alguns astros de rock usam, especialmente nas capas de seus álbuns. Um exame atento de todos os símbolos Satânicos nos levaria além do escopo limitado deste capítulo. Mencionaremos apenas alguns poucos. 25
Um dos símbolos satânicos proeminentes usados por grupos de rock é o “S”, desenhado como um pequeno relâmpago serrilhado. Este símbolo é derivado de Lucas 10:18, o qual diz: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.” O “S” impresso como um pequeno relâmpago serrilhado, aparece no nome do grupo de rock KISS e repetidamente no álbum “We Sold our Soul to Rock ‘n’ Roll” (Nós Vendemos nossa Alma ao Rock ‘n’ Roll), produzido pelo grupo chamado Black Sabbath. David Bowie é fotografado em um de seus álbuns com o mesmo “S” serrilhado, pintado em sua face.
Uma cruz invertida foi símbolo do Satanismo por séculos. É usada como pano de fundo para algumas das apresentações de Madonna. Foi uma característica da excursão mundial de 1981 dos Rolling Stones e apareceu na capa de um álbum do Duran Duran.
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Outro símbolo satânico é o pentagrama, uma figura de cinco pontas em forma de estrela simbolizando a adoração a Satanás. O grupo de rock Rush usa este símbolo extensivamente nas capas de seus álbuns. O símbolo satânico “Winged Globes” (Globos Alados) que consiste em um disco solar, é usado por grupos de rock tais como Aerosmith, Journey, Reo Speedwagon, e New Riders of the Purple Sage. Outros símbolos satânicos usados por grupos de rock incluem a serpente, a pirâmide egípcia, a cabeça de bode, o crânio, e o hexagrama. O grupo de rock Santana tem um álbum, Abraxas, que recebeu este nome por causa de um poderoso demônio da feitiçaria. Em outro álbum, Festival, eles apresentam um ídolo Hindu na capa com duas serpentes de cada lado do ídolo. As duas serpentes representam a dualidade do bem e do mal que podem viver em harmonia entre si.
Em seu livro Numerologia, Sybil Leek, uma das bruxas mais bem conhecidas da Inglaterra, afirma que “Muitos músicos de rock lançam feitiços e encantamentos sobre a sua música, e então, para demonstrar que fizeram um pacto com o demônio, colocam símbolos do ocultismo nas capas de seus discos. Tais símbolos incluem bolas de cristal, cabeças de bodes, cruzes de cabeça para baixo, caracteres das cartas de tarô, pirâmides, 2/4, símbolos do Zodíaco da quiromancia, o asno satânico, uma estrela de cinco pontas em um círculo, a língua estendida, e “Il Cornuto”. 26 O último símbolo é um sinal tradicional siciliano que consiste dos dedos indicador e mínimo estendidos, enquanto os outros dedos ficam dobrados em um punho. O símbolo é usado por praticantes das artes negras para repelis o “mal-olhado”. Os Beatles parecem ter sido a primeira banda de rock a usar este símbolo na capa de seu álbum “Yallow Submarine”.
Envolvimento satânico. Os símbolos satânicos usados por estrelas de rock são reflexos do seu envolvimento com o oculto e a adoração satânica. Alguns deles expressaram abertamente em entrevistas o seu envolvimento em atividades ocultas. Hubert Spence relata alguns exemplos: “O cantor e líder do grupo Meat Loaf declarou: ‘Quando eu subo num palco, fico possuído.’ O compositor, Jim Steinman disse, ‘sempre fui fascinado pelo sobrenatural e sempre senti que o rock era o meio perfeito para isto.’ O cantor e líder do grupo Queen, Freddie Mercury, disse, ‘No palco eu sou um demônio. Eu acho que posso ficar louco daqui a vários anos.’ David Bowie que tinha o desenho de pentagramas em suas paredes disse, ‘O rock sempre foi a música do Diabo porque deixa entrar os elementos mais básicos.’ Ozzie Osborne, formalmente do Black Sabbath, é um adorador professo do diabo. Ele disse, ‘eu sei que há alguma força sobrenatural me usando para produzir meu rock and roll.’” 27
“Os Rolling Stones excederam-se num concerto anos atrás em Altamont, Califórnia. Enquanto eles cantavam ‘Sympathy for the Devil’, vários
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membros dos Hell’s Angels (Anjos do Inferno) (uma gangue de motociclistas contratados para serem uma forca de seguranças dos Stones) foram para a frente do palco e bateram num menino negro até a morte diante de milhares de fãs gritando. Tais atitudes inspiraram Don McLean a escrever seu sucesso de rock ‘American Pie.’ Na canção ele descreve a cena horrorosa daquele concerto: ‘Enquanto eu o assistia [Mick Jaggar] no palco, minhas mãos cerraram os punhos de raiva. Nenhum anjo nascido no inferno poderia quebrar aquele encanto de Satanás. E enquanto as chamas subiram altas na noite, para começar o ritual de sacrifício, eu vi Satanás rindo com prazer. O dia em que a música morreu.’” 28
Outro exemplo do desrespeito total pela vida humana é dado pelo grupo de rock conhecido como The Who. Em 1979 eles apresentaram um concerto em Cincinnati, Ohio, no Riverfront Coliseum. À abertura daquele concerto foram pisoteadas onze pessoas até a morte pela multidão que lutava para entrar. Qual foi a resposta de Townshend, o líder da banda, para estas mortes trágicas? Puro cinismo. Em uma entrevista publicada pela revista The Rolling Stone, ele disse: “Nós somos uma banda de Rock and Roll. Você sabe, nós não ___ por aí, nos preocupando com onze pessoas que morreram”. 29 Tal indiferença insensível para com a perda de onze vidas humanas só pode ter sido inspirada pelo próprio Satanás, que, como disse Jesus, “foi homicida desde o princípio “ (João 8:44).
Em seu livro Dancing with Demons, Jeff Godwin dá surpreendente evidência de vários músicos de rock populares que estudaram a antiga batida da adoração satânica. Estes roqueiros incluem Brian Jones (Rolling Stones), John Phillips (The Mamas and the Papas), Paul McCartney (Beattles), Mick Fleetwood (Led Zeppelin) .30 Estes homens tiveram estudos com mestres satânicos para aprender a usar de forma eficaz o poder hipnótico da batida do rock em suas canções.
A presença da influência satânica no ritmo e nas mensagens de muitas canções de rock, faz-nos lembrar do objetivo de Satanás em promover não apenas o pecado e confusão, mas também na adoração de si mesmo. Isto era verdade antes dele ter sido expulso do céu (Isaías 14:12-16), era verdade quando ele tentou a Cristo oferecendo-Lhe todos os reinos do mundo em troca da adoração (Mateus 4:8-9), e ainda é verdade hoje em dia. Satanás sabe que a música rock é um instrumento muito eficaz que ele pode usar eficientemente para levar milhões a adorá-lo no lugar de Deus. Ele quer adoração e isto é exatamente o que ele está recebendo através da música rock.
O empresário de uma das maiores bandas de rock explica que o rock passou por quatro fases: sexo, drogas, punk rock, e pactos com Satanás. Falando sobre a última fase, ele diz: “Agora descobrimos a melhor motivação que existe para comprar um produto. A melhor motivação que existe é o compromisso religioso. Nenhum ser humano jamais fez um compromisso mais profundo
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que o compromisso religioso, então nós decidimos que nos anos oitenta vamos realizar cultos religiosos nos nossos concertos. Vamos anunciar a nós mesmos como o Messias. Vamos fazer aproximações e pactos com Satanás… e nós seremos adorados.” 31 A afirmação é assustadora porque fala de uma associação deliberada com Satanás.
Resumindo, o cenário do rock nos anos oitenta foi, verdadeiramente, um deserto moral e social que desafia qualquer descrição. Parece que quanto mais depravadas eram as letras, mais álbuns eram vendidos. O Motley Crue vendeu dois milhões de cópias de “South of the Devil” que diz: “As luzes se apagam; minha faca penetra; tire a vida dele; considere morto o bastardo.” A popularidade de tal música rock ultrajante, que descaradamente promove assassinato, violência, e adoração satânica, nos fornece uma das mais inegáveis evidências da natureza sacrílega e depravada da música rock.
À luz dos fatos que acabamos de revelar sobre a música rock nos anos setenta, deixe-nos colocar novamente nossa intrigante questão: Pode a música rock, que promove o desafio contra Deus, rejeição de valores morais aceitos, e glorificação de Satanás, ser adotada legitimamente e transformada em um meio apropriado para adorar a Deus e proclamar o Evangelho? Ao respondermos a esta pergunta, é importante nos lembrarmos que o meio afeta a mensagem. Se o meio é associado com a rejeição da fé cristã, sexo, drogas e práticas de ocultismo, ele não pode ser legitimamente usado para comunicar as afirmações morais do Evangelho.

A MÚSICA ROCK A PARTIR DOS ANOS OITENTA

PARTE 4
A MÚSICA ROCK A PARTIR DOS ANOS OITENTA - Dr. Samuelle Bacchiocchi - Prof. da Andrews University.


Ao traçarmos a história da música rock desde sua origem, através dos anos setenta, descobrimos um processo de endurecimento facilmente discernível. Veremos agora que este processo de endurecimento continuou pelos anos oitenta até nossos dias. O que começou nos anos cinqüenta como rock simples, transformou-se gradualmente em hard rock, heavy metal rock, punk rock, thrash metal rock, e rap rock, para nomear apenas alguns. Novos tipos de música rock estão constantemente aparecendo, sobrepujando a anterior na batida, intensidade, vulgaridade e profanidade.
David Marshall nota: “Rock, Hard Rock, e Heavy Metal contém letras. Kerrang, Thrash Metal, e Rave são apenas barulhos altos selvagens, interativos, uma explosão mental sem uma letra óbvia mas, de acordo com algumas fontes, contendo mensagens subliminares aqui e ali”. 32
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“O rock and roll nunca morrerá”, dizem seus seguidores. Eles têm razão, mas se o passado for um guia, a moda atual da música rock atual será sobrepujada por novos tipos de música rock que serão mais ultrajantes em glorificarem a perversão sexual, violências, drogas, e o satanismo. A razão não é difícil de se encontrar. A música rock é viciante como as drogas e os que criam dependência a ela estão constantemente buscando por tipos mais fortes de música rock para satisfazerem seus desejos. Com isto em mente, vamos observar, brevemente, alguns dos mais significativos desenvolvimentos no cenário do rock desde os anos oitenta.
Os Sex Pistols. Os anos oitenta levaram a sexualidade e o satanismo a novas alturas, nas performances dos Sex Pistols e Madonna. Os Sex Pistols são uma das bandas de rock mais vis pela imoralidade de suas letras, música e apresentação no palco. Eles foram catapultados ao estrelato do rock pela produção de sua canção “Anarchy in the U. K.” (Anarquia no Reino Unido). Eles foram banidos da Inglaterra. A música deles exaltava a homossexualidade, bestialidade, lesbianismo, sodomia, masoquismo, transexualismo, e outras formas de perversões.
Uma indicação de sua insanidade pode ser encontrada no álbum “God Save the Queen, She Ain’t No Human Being.” (Deus Salve a Rainha, Ela Não é Um Ser Humano). A canção insulta a rainha Elizabeth como não sendo um ser humano, no exato momento da celebração do seu aniversário de Jubileu de Prata. Malcolm McLaren, o fundador deste grupo de rock define sua filosofia, dizendo: “Rock and Roll não é só música. Você também está vendendo uma atitude. As crianças precisam de um senso de aventura e o Rock and Roll precisa encontrar um meio de dar isto a elas, mesmo que através das letras e propagandas mais duras e cruéis”. 33 Uma música que vende uma atitude de desafio aberto contra todos os valores morais aceitos, não deveria ter lugar na vida Cristã e na adoração.
Madonna: A “Relações Públicas” da sexualidade. Depois de Michael Jackson, o produto mais popular da cultura rock de nossa época é, sem dúvida nenhuma, Louise Ciccone, mais conhecida pelo nome que assumiu – Madonna. Ela foi criada em uma família de classe média ítalo-americana em Bay City, Michigan. À vista de sua educação católica, é incrível que ela tenha assumido o nome de “Madonna” ao desfilar sua sexualidade. Afinal de contas, para os católicos, Madonna representa a virgindade e a pureza da mãe de Jesus (N.T. – Madonna é a expressão italiana equivalente a Nossa Senhora). Ao assumir um nome que representa a virgindade, para promover seu comportamento sexual imoral, ela revelou sua determinação em profanar símbolos sagrados por intermédio de suas canções de rock. Um nome bíblico mais apropriado poderia ter sido escolhido por ela por causa de sua sedutora atração, é “Jezabel” – a mulher que, na história bíblica, se tornou o símbolo de sedução (Apocalipse 2:20).
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Em algumas apresentações Madonna usa uma cruz como um fundo de cena para sua exibição sexual. Em outras ela usa uma cruz invertida, a qual, historicamente, tem sido um símbolo de satanismo. Quando, em seus concertos, cantou suas indecorosas canções ‘Like a Virgin’ e ‘Vogue’, ela usava um sutiã de metal pontudo em seus concertos, ostentando sua sexualidade e escarnecendo o público com um suave convite ‘venha’. Ela tem propagado a pornografia através de dezenas milhões de cópias vendidas.
Na revista Rutherford Magazine, John Whitehead afirma: “Madonna está tentando provocar-nos a um reexame da definição tradicional do que é permissível e o que é ou não é pornográfico ou erótico.... A única coisa deixada é o hedonismo. Mas não é um hedonismo ancorado no ‘humanismo secular’ ou secularismo. É um hedonismo ancorado numa nova forma de paganismo” 34
Em seu livro Hole in Our Soul, The Loss of Beauty and Meaning in American Popular Music, Martha Bayles, uma crítica de arte e de televisão, nota que “Madonna está mais à vontade na decadência. Seu trabalho mais convincente, em termos de forma que expressa conteúdo, celebra o estilo de vida masculino efeminado no auge do seu hedonismo. Por exemplo, seu vídeo intitulado ‘Vogue’ apresenta um som contido, com uma influencia refinada, contra uma demonstração inexpressiva de vestir-se de forma elaborada com smoking, como usado nos clubes gays. Mais recentemente ‘Justify My Love’, e algumas das canções no álbum ‘Erotica’, usavam um vocal sussurrante e uma batida informal característica para destacar, deliberadamente, a celebração sem sentido do sadomasoquismo... ‘Justify My Love’ recebeu incremento significativo nas vendas e aluguéis depois de seu banimento da MTV, e o livro pornográfico ‘Sex’ foi vendido ‘recatadamente’embalado em plástico Mylar [um resistente filme de poliéster].” 35
Madonna se destaca por sua habilidade em manipular de maneira cínica os símbolos religiosos para promover a sua agenda imoral através de suas canções de rock. A imensa popularidade que ela desfruta é um triste comentário sobre a decadência moral de nossa sociedade. Hubert Spencer escreve: “Nós, como país, ficamos tanto tempo sem exemplos de verdade, cultura honrada, que acreditamos que o resplendor e a composição extravagante de uma apresentação de rock são o padrão para a habilidade artística séria. E lembrem-se, ela [Madonna] ganha seu dinheiro vendendo pornografia como um evento cultural”. 36
A atitude sacrílega de Madonna com relação aos símbolos Cristãos, é compartilhada por inúmeros músicos de rock que, como ela, inserem elementos religiosos em seus nomes e apresentações. Alguns deles atraem o público com nomes como Jesus Jones, Faith No More, e MC 900 FT Jesus. No álbum “Born Again” da banda de rock Black Sabbath, há uma linha que diz: “O único bom cristão é um cristão morto.” Em outro álbum
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chamado “Welcome to Hell”, o grupo de rock Venon, diz: “Nós somos possuídos por tudo aquilo que é mau. A Tua morte, Deus, é o que exigimos.”
A audácia de alguns músicos de rock para pedir até mesmo pela morte de Deus, é um indicativo da profundidade de sua depravação, comunicada através de sua música rock. Deixe-nos colocar novamente nossa intrigante questão: Pode a música rock, alguma das quais profana e blasfema descaradamente a Deus e a fé cristã, ser transformada e adotada como um meio para adorar a Deus e proclamar o Evangelho? Ao respondermos a esta pergunta, é importante nos lembrarmos que o meio afeta a mensagem.
Michael Jackson: O Humano Divinizado. Os anos oitenta trouxeram à vanguarda o veterano Michael Jackson, que fez sua primeira estréia nacional em 1969 como membro da Família Jackson. Ele se separou, como artista solo, no meio da década de setenta e alcançou enorme popularidade nos anos oitenta. Seus dois álbuns “Off the Wall” e “Thriller”, o transformaram em celebridade internacional.
“Thriller”, o qual vendeu mais de quarenta milhões de cópias, revela a fascinação de Jackson com o sobrenatural e pelo sombrio. Tanto o álbum quanto o vídeo tratam com o oculto, especificamente ao horror de viver com cadáveres. Para pacificar os líderes da igreja Testemunhas de Jeová, a qual ele pertencia naquela época, ele colocou uma retratação no começo do vídeo, dizendo: “Devido às minhas fortes convicções pessoais, eu desejo enfatizar que este filme não apóia, de maneira alguma, uma crença no oculto – Michael Jackson.” A retratação não diminui o fato de que o álbum e o vídeo promovem, definitivamente, o oculto.
Nos dois vídeos “Bad” e “Dangerous” Michael Jackson se comporta conforme a mensagem dos títulos. Martha Bayles, uma crítica de TV e arte, nota que “Após assistir a esses vídeos nos quais Jackson, ininterruptamente, segura seus genitais, arrebenta janelas de automóveis e fecha sua braguilha (nesta ordem nada convincente), a maioria das pessoas meneia suas cabeças e diz que ele está fora da realidade”. 37
A verdade da questão é que Jackson não está apenas fora da realidade, mas às vezes fora de controle. As acusações de relações homossexuais com crianças, seu estranho matrimônio com a filha de Elvis Presley que logo o deixou, a criança que ele gerou com outra mulher fora do casamento, todas essas são indicações de sua decadência moral. Ainda assim “ele, cuidadosamente, tem se apresentado pelo mundo como um ícone da divindade. Seus vídeos o exibem fazendo regularmente gestos eróticos para a câmera; suas produções de palco, exibidas de forma extravagante, apresentam fortes implicações de sua
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divindade (manifestadas nas suas entradas e saídas), louvando-o como salvador do mundo”. 38 A triste realidade é que Jackson precisa desesperadamente de um Salvador para limpa-lo de toda sua vida depravada de pecado, refletida em sua música rock.
Heavy Metal. O desejo por letras mais agressivas, dominadas pelo barulho, obscenas, violentas, tem contribuído para o surgimento de tipos mais desagradáveis de música rock, como o “Heavy Metal” e a “Música Rap”. Nós daremos uma breve olhada em cada um deles, concluindo nossa pesquisa histórica da música rock.
Todos os observadores, favoráveis ou contrários, concordam que as bandas de Heavy Metal não apenas tocam uma das formas mais estridentes de música rock, mas que também criam um mundo imaginário para seus fãs exaltando o sexo, as drogas, e a violência. Stephen Davis, o biógrafo do Led Zepelim, o astro principal do Heavy Metal, descreve tal música como “criando seu próprio universo particular para seus fãs. A música é apenas parte disto. Alguma outra coisa está acontecendo”. 39
A “alguma outra coisa” que acontece nos concertos do Metal rock é mencionado por Tipper Gore, a esposa do ex-vice-presidente Al Gore. Ela escreve: “Nos concertos de [Metal rock], as bandas mais estridentes não apenas tocam sua música nos mais altos níveis de decibéis, mas executam o que eles descrevem como ‘atos de show de variedades’, que exaltam o sexo explícito, o uso de álcool e drogas, e a violência sangrenta. Alguns demonstram o comportamento anti-social mais extremo imaginável”. 40 Nós poderíamos dizer que as bandas de metal rock não só gritam, mas também dão razões para gritar.
De seu começo nos ano setenta a música rock Heavy Metal, tornou-se crescentemente mais ruidosa, vulgar e sádica. Martha Baytes descreve esta tendência dizendo: “Boa e velha promiscuidade foi pelo mesmo caminho do pássaro dodô, conforme os grupos de ‘speed metal’ e ‘death metal’, incrementaram seus shows com um sadismo sangrento. A metade dos anos oitenta foi o auge dos vídeos de rock que descreviam as vítimas femininas encadeadas, enjauladas, espancadas, e amarradas com arame farpado, tudo para aguçar os apetites de adolescentes de doze e treze anos de idade para as apresentações dos palcos, tais como aquela famosa, na qual o grupo W. A.S. P. canta sua canção de sucesso, ‘F___ como uma Besta’, enquanto fingem bater no crânio de uma mulher e a estupram com uma serra motorizada”. 41 Os astros do metal rock se vangloriam do fato de terem relacionamento sexual durante as apresentações, sessões de gravações, e fitas de vídeo. 42
Observadores do cenário do rock notam que os jovens envolvidos mais profundamente com o heavy metal, são adolescentes furiosos, perturbados, tais como desistentes da escola e fugitivos de casa. 43 “Estes adolescentes exibem uma combinação grotesca de ambição arrogante e desespero depressivo, baseada na convicção de que a única alternativa para o estrelato do rock é a morte na sarjeta. 44 Nem os
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astros dão muita orientação. Eles tão niilistas quanto seus seguidores, só que em vez de serem punidos pelo seu comportamento auto-destrutivo, eles são recompensados”. 45
É difícil de acreditar que até mesmo a música rock Heavy Metal, conhecida não só por sua batida trovejante, mas também por exaltar o sexo, as drogas, e a violência, seja adotada por bandas “cristãs” para louvar a Deus e alcançar os não salvos. Por exemplo, bandas “cristãs” heavy metal como Stryper, tem dividido o mesmo palco em concertos com grupos seculares, gravando sua música nos mesmos rótulos seculares que são vendidos nas mesmas lojas de varejo. Os quatro membros do Stryper se assemelham muito com os membros da banda KISS. Eles usam roupas apertadas de couro apertado e tecidos colantes, usam muita maquiagem e correntes, e têm cabelos malucos. O grupo quer ser conhecido como “uma banda de metal para Cristo”. 46
Novamente precisamos colocar nossa intrigante questão: Pode a música rock heavy metal que promove descaradamente alguns dos piores tipos de comportamento violento e destrutivo, ser transformado e adotado como um meio para adorar a Deus e proclamar o Evangelho? Pode o mundo do Metal rock ser legítima e efetivamente infiltrado por ovelhas vestidas de lobos? Ao respondermos a esta pergunta, é importante nos lembrarmos que o meio afeta a mensagem.
Música Rap. Intimamente relacionado ao Heavy Metal e em grande parte dependente deste, está a “Música Rap”, que incorpora muitos dos sons e estilos do rock Heavy Metal. O termo “Rap” se refere à rima de palavras recitadas ou “batidas” de acordo com um acompanhamento musical fortemente rítmico conhecido como hip-hop. Em outras palavras, a música rap consiste em uma rima cantada apoiada por ritmos pesados. É vista como parte da tradição afro-americana. É produzida em “uma parte particular da montagem do som: Linguagem afro-americana adaptada a ritmos afro-americanos, e focalizando os problemas de ser criado e crescer sendo negro”. 47
A música rap é denunciada amplamente por jornalistas, líderes religiosos, e negros formadores de opinião, por causa de sua indecência chocante, especialmente por promover o abuso e exploração de mulheres. Em seu artigo em “The Corruption of Rock”, o jornalista britânico Michael Medved mostra que “as piores atitudes em relação às mulheres são exibidas por alguns dos músicos de rap. Na cultura rap, termos como ‘minha cadela’ ou ‘minha prostituta’ são usados, habitualmente, para descrever as namoradas. Um dos piores ofensores entre os músicos de rap é o NWA.” 48
O álbum em que o NWA é mais abusivo às mulheres é chamado “Nasty as they Wanna Be.” Seu tema central é a mutilação dos
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órgão genitais de suas parceiras. Na Flórida um juiz rotulou este álbum como muito obsceno para os jovens. Apesar de sua linguagem abusiva e obscena o álbum vendeu 1.7 milhões de cópias.
Em seu artigo “How Rap’s Hate Lyrics Harm Youngsters”, Bob Demoss analisa o mesmo álbum onde ele descobriu que em menos de sessenta minutos havia 226 utilizações daquela palavra que começa com “F”, 163 vezes da palavra “cadela”, 87 descrições de sexo oral, e 117 referências explícitas dos genitais masculino e feminino. 49 Numerosos escritores e líderes de igreja têm condenado, fortemente, a violência promovida pelos rappers através de suas letras.
Hubert Spence nota que “Embora o crime e ódio tenham sido um efeito colateral contínuo na música rock, o som do rap fez crescer, de forma explosiva, o crime nas áreas de gangues. Até mesmo cidades pequenas estão sendo agora afetadas, os astros do rap se tornaram os professores destas gangues. Este tipo de música é uma das principais razões para o recente crescimento da tensão racial e temor nas ruas. Tais fogueiras sociais estão sendo alimentadas por estes proclamadores rítmicos do ódio e violência”. 50
A denúncia irrestrita da música rap por causa de sua indecência chocante por muitos líderes civis e religiosos, não evitou que bandas cristãs adotassem tal música para louvar a Deus e alcançar os não salvos. Numerosas bandas de “rap cristãos” anunciam seus serviços e oferecem seus álbuns na internet. É evidente que não importa quão chocante os novos tipos de música de rock sejam, há cristãos que estão preparados para tentar purifica-las, mudando suas letras.

MÚSICA ROCK - CONCLUSÃO - Dr. Samuele Bacchiocchi

CONCLUSÃO - Dr. Samuele Bacchiocchi - Prof. da Andrews University

A pesquisa histórica levada a efeito neste capítulo demonstra que a música rock passou por um processo de endurecimento facilmente discernível. O que começou na década de 1950, como rock simples, tornou-se, gradualmente, num rock suave, folk rock, soul rock, funk rock, rock psicodélico, discoteca, hard rock, heavy metal rock, punk rock, thrash metal rock, rave rock e o rap rock. Cada novos tipos de música rock mostrou ser mais sexualmente explícito, violento e vulgar do que os anteriores.
Al Menconi, bem conhecido por seu ministério planejado para ajudar famílias cristãs a avaliarem o conteúdo da música popular, faz a pergunta: “Como isto aconteceu? ” Sua resposta: “Uma canção de cada vez.”Para ilustrar quanta perversão a sociedade está disposta a aceitar, “se vier em pedaços pequenos”, Menconi fornece um exemplo com oito trechos de músicas rock, começando com a canção dos Beatles de 1964
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“I Wanna to Hold Your Hand”, para a canção de 1994 do grupo Nine Inch Nail “I Wanna F___ You Like na Animal” e a canção de 1998 de Janet Jackson “Tonight’s The Night”. 51
A intensificação da explicitação e perversão sexual é evidente por si mesma nestas canções. Em sua canção os Beatles “sugeriam que a agressividade física era aceitável sem um envolvimento emocional”. A canção do Nine Inch Nail é “agressiva e sugere o estupro”. A canção de Janet Jackson “foi a primeira canção popular a respeito do sexo lésbico”. Al Menconi conclui: “Qualquer canção, sobre qualquer forma de perversão é [hoje] considerada aceitável. Como isto aconteceu? Uma canção de cada vez”. 52
Chegou agora o momento de responder nossa intrigante pergunta introdutória, que foi várias vezes repetidas durante o curso de nossa pesquisa: Pode a música rock ser adotada legitimamente e transformada em um meio apropriado para adorar a Deus e proclamar o Evangelho?
A resposta é evidente por si mesma. A investigação da cosmovisão da música rock apresentada no capítulo 2 e de seu desenvolvimento histórico neste capítulo, indicam, fortemente, que qualquer tentativa para purificar a música rock secular pela mudança de suas letras, resultará no final das contas na prostituição da fé e da adoração cristã. Quatro principais razões apóiam esta conclusão.
(1) A Música Rock Distorce a Mensagem da Bíblia. A música rock, em qualquer de suas formas, distorce a mensagem da Bíblia simplesmente porque o meio afeta a mensagem. O meio utilizado para ganhar a juventude determina a natureza da mensagem para a qual eles são ganhos. Se a igreja um tipo de música rock, a qual é associada com sexo, drogas, satanismo, violência e a rejeição da fé cristã, ela obviamente não será capaz de desafiar a juventude a viver de acordo com as exigências morais do evangelho.
O Novo Testamento nos conclama a apresentarmos de maneira clara e convincente a santidade do caráter de Deus, o desespero do dilema humano, e a maravilhosa graça do evangelho. Estas questões de vida e morte não podem ser apresentadas com a frivolidade e o desrespeito da música rock.
Os ouvintes do rock religioso podem nunca ser humilhados pela majestade de Deus nem ser convencidos das exigências morais de Deus sobre as suas vidas. O incessante ritmo do rock, os movimentos, as luzes, e o comportamento dos cantores de rock contem tanto do que é sensual e sexualmente sugestivo que dificilmente podem comunicar a santidade e a pureza do Reino de Deus.
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Se nós adotamos uma aparência mundana para atrair as multidões, como poderemos pintar em cores vivas o contraste entre o reino deste mundo e o Reino de Deus? Paulo reconhecia que o evangelho não pode ser proclamado através de truques mundanos para chamar a atenção. Portanto, ele disse aos Corintios: “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria [ou poderíamos dizer ‘com os sons excitantes das canções gregas’], mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens [ou poderíamos dizer ‘em excitações mundanas’], mas no poder de Deus” (I Corintios 2:4-5).
O chamado Bíblico para “adorar o Senhor na beleza de sua santidade” (Salmos 96:9; 29:2; I Crônicas 16:20; II Crônicas 20:21), é comprometido pelo “uso de combinações de sons violentos, que entorpecem a mente, são vulgares, crus, hipnóticos, rebeldes, exageradamente repetitivos, um som sem criatividade, indisciplinado e caótico. Se os ouvintes não ouvem estas coisas, é porque o rock entorpeceu suas sensibilidades estéticas”. 53
O vestuário informal e comportamento interativo incentivados pela música rock tocada durante o culto na igreja cria uma atmosfera como o ambiente de um clube. Em meu ministério itinerante ao redor do mundo tenho sido confrontado com bandas de rock tocando em igrejas Adventistas ou reuniões de jovens. É comum nestes ambientes que alguns membros se vistam casualmente, como se estivessem assistindo a um concerto de rock. Além disso, assim que ouvem a batida da bateria eles começam a se balançar. Numa igreja em particular o balanço ficou fora de controle. Os membros se levantaram dos bancos da igreja e começaram a dançar nos corredores e alguns até mesmo na plataforma. É evidente que, criando uma atmosfera de boate, a batida do rock faz as pessoas esquecerem que estavam na igreja.
A música rock, em qualquer de suas formas, distorce a visão Bíblica de adoração, fazendo as pessoas crerem que a igreja é um lugar onde elas podem se divertir com Deus. O propósito da adoração na Bíblia não é a excitação centralizada em si mesmo, mas a adoração centrada em Deus (Salmos 96:2; 57:9; 47:6; Romanos 15:9; Atos 16:25).
(2) A Música Rock Compromete a Posição da Igreja por Separação. A ordem do cristão não é se conformar com o mundo, mas confrontar o mundo com as verdades reveladas de Deus (Romanos 12:2). A bíblia explicitamente nos admoesta: “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Efésios 5:11). João nos previne “não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1 João 2:15).
Paulo compreendeu a verdade fundamental de que a aceitação do evangelho resulta em uma separação com o mundo “pela renovação da vossa mente.”
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(Romanos 12:2) Será que os vários tipos de música rock religiosa de hoje convidam os jovens a se separarem do mundo pela renovação de suas mentes? Dificilmente. A música popular apela de forma primária ao corpo em vez da mente; cultiva um gosto pelo rock secular e não pela música sacra. Ela comunica uma mensagem de solidariedade com o mundo e não de separação dele.
Larry Norman, um super-astro no cenário da MCC, reconhece que “de forma a poder decidir se a música cristã tem alguma fraqueza ou força, você precisa decidir qual é o seu propósito. Se ela é para não-cristãos – para convence-los de que Cristo é uma alternativa importante a ser buscada em suas vidas – então a maior parte da música cristã é falha, porque ela não comunica de forma convincente esta mensagem em particular. 54 De fato, a mensagem que ela comunica é uma mensagem de conformidade com o mundo em vez de separação dele.
O povo de Deus sempre esteve separado do mundo, pela sua recusa em participar das práticas incrédulas da sociedade secular. Os cristãos primitivos viraram o mundo pagão de cabeça para baixo, como vimos no capítulo 2, não através da purificação de formas pagãs de entretenimento (o circo, teatro, música), mas se abstendo completamente delas.
Para preservar nossa identidade cristã, temos que entender nossa cultura e recusarmos aceitar aquilo que viola os princípios morais que Deus revelou. “Se somos cegos ao espírito de nossa época, inocentemente nos embebendo das tradições e padrões culturais de uma sociedade não cristã, nosso caráter e testemunho serão debilitados. As defesas se esfacelam e antes que nos demos conta disto, estaremos acreditando, dizendo, fazendo, entendendo, e agindo como os não convertidos”. 55
Como cristãos, dificilmente podemos ser os “filhos da luz” expondo os atos das trevas, quando nos conformarmos tão intimamente com o mundo através da adoção de uma música que encarna o próprio espírito mundano de rebelião. Uma identificação tão íntima com o espírito do mundo, só pode deixar muitos confusos sobre o poder do Evangelho para mudar a velha natureza em uma vida completamente nova.
(3) A Música Rock Encarna o Espírito de Rebelião. Nossa pesquisa histórica demonstrou que a música rock promove, entre outras coisas, uma cosmovisão panteísta/hedonista, uma rejeição aberta à fé e valores Cristãos, perversão sexual, desobediência civil, violência, satanismo, ocultismo, homossexualidade e masoquismo. Nenhuma outra música surgiu durante os últimos vinte séculos que rejeitasse tão descaradamente todos os valores morais e convicções esposados pelo Cristianismo.
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O espírito de rebelião da música rock é reconhecido até mesmo pela mídia. Por exemplo, a revista Newsweek escreveu: “Não é só o som ensurdecedor e as batidas implacáveis – os garotos em um concerto heavy-metal não se sentam nos seus assentos, eles sobem neles se mexem – é o espírito de rebelião... Os fãs imitam o vestuário heavy-metal de seus ídolos – camisetas sem manga, jaquetas de couro, faixas de couro cravejadas nos pulsos – e no concerto, agitam seus punhos em uníssono sobre suas cabeças enquanto gritam a letra juntamente com a banda”. 56
Sendo a incorporação do espírito de rebelião de nosso tempo, a música rock dificilmente pode ser adotada para expressar o espírito de devoção Cristã e compromisso com Deus. Como Gary Erickson observa de modo perceptivo, “um cordeiro vestido em roupa de lobo é um modo estranho para alcançar o pecador ou o santo. Todo este cenário é confuso para o mundo e para a igreja”. 57
Nossa comissão cristã é comunicar o evangelho não através de sinais confusos, mas por intermédio de uma mensagem clara e direta. Paulo declara este princípio, dizendo: “Até no caso de coisas inanimadas que produzem sons, tais como a flauta ou a cítara, como alguém reconhecerá o que está sendo tocado, se os sons não forem distintivos? Além disso, se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha?” (1 Corintios 14:7-8; NIV).
A música rock, mesmo na sua versão “cristã”, não dá um claro chamado para “retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados” (Apocalipse 18:4). Os jovens que assistem as bandas de rock cristãs se apresentando, seja num concerto ao ar livre ou em numa reunião de jovens na igreja, podem facilmente fantasiar que estão num concerto de rock secular.
Isto é especialmente verdade quando bandas de rock cristãs profissionais imitam o cenário do rock secular com cabelos compridos, vestuário esquisito, efeitos de luzes, fumaça, bateria incessante, gestos vulgares e sons vocais esganiçados. Com tanta excitação visual e auditiva vinda diretamente da cultura do rock, os jovens podem facilmente ser levados a acreditar que a música de Babilônia não deve ser tão ruim afinal de contas. Finalmente, alguns serão tentados a voltarem à música de Babilônia, em lugar de atender o apelo de Deus para “retirai-vos dela, povo meu.”
(4) A Música Rock Pode Alterar a Mente. Outra importante razão pela qual a música rock não pode ser legitimamente cristianizada é que a sua batida hipnótica pode alterar a mente, debilitando a sensibilidade moral e inibições, e levando as pessoas a escrever, ver, e fazer as coisas mais horrorosas. Não se conhece nenhum outro gênero musical que tenha tal capacidade
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de alterar a mente. Este ponto ficará mais claro nos capítulos 4 e 8, onde examinaremos estudos científicos significativos sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos da música rock.
Neste momento basta citar o testemunho de Jimmy Hendrix, que foi considerado o melhor guitarrista de rock que já existiu disse: “A música é uma coisa espiritual em si mesma. Podemos hipnotizar as pessoas com música, e quando elas estiverem em seu ponto mais fraco, podemos pregar ao seu subconscience o que quisermos que elas digam. Por isso é que o nome ‘Igreja Elétrica’ fica piscando. A música flui do ar; e é por isso que eu posso me conectar com um espírito”. 58
A música rock pode hipnotizar as pessoas porque ela exerce seu impacto musicalmente e não liricamente. Como o sociólogo Simon Frith mostra em seu livro Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll, “Uma aproximação baseada nas palavras é inútil para compreender o significado do rock... As palavras, se é que são notadas, são absorvidas depois que a música já deixou a sua impressão”. 59
A avalanche de decibéis, especialmente do hard rock, é planejada para destroçar as emoções e controlar a mente. O ex-astro de rock Bob Larson explica: “O rock, pelo menos nas suas formas mais brutais, não agradam aos ouvidos. Ele te esmaga o crânio, como um trem de carga. Você não ouve o rock alto; ele te batiza com uma liturgia de sexo, drogas, perversão e o oculto.” 60
Pensar que alguém pode purificar a música rock apenas mudando sua letra, é como acreditar que o veneno pode ter efeito inofensivo apenas porque é administrado com amor. O veneno mata, não importa como seja administrado. Da mesma forma, a batida do rock altera a mente humana, tornando-a suscetível a sentimentos e práticas erradas, não importando se as letras são sacras ou seculares.
A capacidade da música rock, em qualquer versão, para alterar a mente humana por meio de sua batida hipnótica, sem levar em conta a letra, torna a adoção de tal música para a adoração cristã moralmente errada. Os cristãos devem evitar qualquer substância ou meio que possa alterar suas mentes, porque é através da mente que servimos Deus (Romanos 12:2) e que somos renovados à imagem de Deus (Efésios 4:23-24; Colossenses 3:10).
Resumindo, a música rock não pode ser legitimamente transformada em música cristã simplesmente alterando sua letra. Tal divisão simplesmente não é possível, porque o rock “cristão”, ou qualquer outra categoria, ainda é música rock – uma música que incorpora um espírito de rebelião contra Deus e contra os princípios morais que Ele revelou para nossas vidas.
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Muito da discussão a respeito da música rock está enfocada hoje nos seus efeitos sobre os humanos, em vez de questionar se ela é ofensiva para Deus. O resultado é que muitos estão mais interessados em definir o que Deus poderia permitir do que naquilo que O agrada. É imperativo que mudemos nosso foco de nós mesmos para Deus e para ouvirmos o Seu chamado à santidade. Esta palavra é raramente usada hoje em dia, mas ainda assim a Bíblia nos conclama repetidamente a sermos um povo santo entre uma geração de mente secularizada e perversa. (Êxodo 19:6; Deuteronômio 7:6; 14:2; Salmos 1:1; Isaías 64:12; I Pedro 2:9; I João 2:2-6). Quando aceitarmos o convite de Deus para sermos um povo santo e para sairmos da Babilônia (Apocalipse 18:4), então a música rock da Babilônia não será mais uma atração para nós.
NOTAS

1. Allan Bloom, The Closing of the American Mind (New York, 1987), p. 73.
2. Ibid., pp. 70. 80.
3. Ibid., p. 80.
4. Robert L. Stone, ed., Essays On the Closing of the American Mind (Chicago, 1989), p. 237.
5. Allan Bloom, “Too Much Tolerance,” Essays On the Closing of the American Mind, ed. Robert Stone, (Chicago, 1989), p. 239.
6. Michael Ventura, “Hear that Long Snake Moan,” Whole Earth Review (primavera de 1987), pp. 28-33.
7. M. Jones, “African Music,” quoted in Leonard B. Meyer, Emotion and Meaning in Music (Chicago, 1990), p. 242.
8. Hubert T. Spence, Confronting Contemporary Christian Music (Dunn, NC, 1997), p. 62.
9. Ibid., p. 92.
10. Arnold Shaw, Dictionary of American Pop/Rock (New York, 1982), p. 287.
11. Steve Peters and Mark Littleton, Truth about Rock (Minneapolis, 1998), p. 15.
12. Hubert T. Spence (nota 8), p. 63.
13. Charlie Peacock, At the Cross Roads: An Insider’s Look at the Past, Present, and Future of Contemporary Christian Music (Nashville, 1999), p. 44.
14. Como citado por Hubert T. Spence (nota 8), pp. 79-80.
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15. Steve Turner, Hungry for Heaven: Rock and Roll Search for Redemption (London, 1994), p. 49.
16. Citado por David Marshall, Occult Explosion (Alma Park, Grentham, England), p. 42.
17. Steve Turner (nota 15), p. 86.
18. Ibid.
19. Como citado por Hubert T. Spence (nota 8), p. 83.
20. Citado por David Marshall (nota 16), p. 84.
21. Time (22 de setembro de 1967).
22. Hubert T. Spence (nota 8), p. 98.
23. Steve Turner (nota 15), p. 81.
24. Hubert T. Spence (nota 8), p. 94.
25. Para uma descrição dos vários símbolos satânicos usados pelas bandas de rock, veja Hubert T. Spence (nota 8), pp. 96-97.
26. Sybil Leek, Numerology (London, England, 1976), p.42
27. Ibid., p. 98.
28. Ibid., p. 99.
29. The Rolling Stone (26 de junho de 1980), p. 3.
30. Jeff Godwin, Dancing with Demons (Chino, California 1988), pp. 126-128.
31. Buzz (abril de 1982), como citado por John Blanchard, Pop Goes The Gospel: Rock in Church (Durham, England, 1991), p. 49
32. David Marshall (nota 16), p. 56.
33. Citado por Hubert T. Spence (nota 8), p. 70.
34. Rutherford Magazine (Janeiro de 1993), citado por Hubert T. Spence (nota 8), p. 70.
35. Martha Bayles, Hole in Our Soul. The Loss of Beauty and Meaning in American Popular Music (Chicago, 1994), p. 334.
36. Hubert T. Spence (nota 8), p. 71.
37. Martha Bayles (nota 33), p. 332.
38. Hubert T. Spence (nota 8), p. 72.
39. Stephen Davis, Hammer of the Gods: The Led Zeppelin Saga (New York, 1985), p. 116.
40. Tipper Gore, Raising PG Kids in an X-Rated Society (Nashville, 1987), pp. 50-51.
41. Martha Bayles (nota 33), p. 254.
42. Veja Tipper Gore (nota 37), p. 94; também David Mandelman, “The Devil and Sam Kineson,” Rolling Stones (23 de fevereiro de 1989), pp. 24-25.
--- pág. 103 ---

43. Veja Lionel Trilling, “From the Notebooks of Leonel Trilling,” selecionado por Christopher Zinn, Partisan Review 54 (Janeiro de 1987), p. 17.
44. See Janet Maslin, “The Personal Side of Heavy Metal,” New York Times (17 de junho de 1988), p. 7.
45. Martha Bayles (nota 32), p. 261.
46. “A Christian ‘Heavy Metal’ Band Makes its Mark on the Secular Industry,” Christianity Today (15 de fevereiro de 1985), p. 23.
47. Martha Bayles (nota 32), p. 363
48. Michael Medwed, “The Corruption of Rock,” The Sunday Times (28 de fevereiro de 1993), p. 6.
49. Bob Demoss, How Rap’s Hate Lyrics Harm Youngsters,” Reader’s Digest (agosto de 1994), pp. 88-92.
50. Hubert T. Spence (nota 8), p. 73.
51. Al Menconi, “Breaking Moral Barriers: One Song at a Time.” The American Family Association Journal (janeiro de 2000), p. 18
52. Ibid.
53. Calvin M. Johansson, Discipling Music Ministry. Twenty-First Century Directions (Peabody, Massachusetts, 1992), p. 29.
54. Larry Norman, Solid Rock (Carol Stream, IL, 1992), p.28
55. Calvin M. Johansson (nota 53), p. 57.
56. Cathleen McGuigan, “Not the Sound of Silence,” Newsweek (14 de novembro de 1983), p. 102. Ênfase acrescentada.
57. Gary Erickson, Music on the Rocks? (Shippensburg, Pennsylvania, 1993), p. 74.
58. Life (3 de outubro de 1969), p. 74.
59. Simon Frith, Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll (New York, 1981), p. 14.
60. Bob Larson, Rock and the Church (Carol Stream, IL, 1972), p. 83
--- pág. 104 ---

O USO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS NA ADORAÇÃO

Capítulo 10 - Os Instrumentos Musicais na Adoração
por: Scott Guiley

Ó filhos de Sião, honrai o Rei dos reis;
Louvores altos Lhe cantai, louvores altos Lhe cantai,
Guardai as santas leis, guardai as santas leis.
Os que do mundo são a Deus não dão louvor;
Mas filhos do celeste Rei, mas filhos do celeste Rei,
Louvai ao Salvador, Louvai ao Salvador
Ó venham-nO louvar os que Seus filhos são,
E se ergam já a demandar, e se ergam já a demandar
As plagas de Sião, as plagas de Sião.
Sião é a nossa santa e gloriosa cidade,
Também perene morada dos crentes em nosso Jesus.
Isaac Watts (1674-1748).

O propósito deste capítulo é examinar principalmente o uso – e abuso – dos instrumentos musicais na adoração das igrejas do Senhor. Este é um grande assunto e temos convicções pessoais fortes que ansiamos expressar, mas intencionalmente nos limitamos. Não espere que cheguemos nem mesmo à superfície. Algumas áreas de consideração – tais como orquestras da igreja, bandas de adoração, grupos instrumentais, sistemas de som, teclados eletrônicos e música com play-back – serão completamente excluídas, salvo esta menção. Obrigado e seja benvindo!
OS INSTRUMENTOS MUSICAIS SÃO BÍBLICOS?
Há referências na Bíblia, inclusive vários exemplos, do uso de instrumentos musicais na adoração (2 Samuel 6:5; 1 Crônicas 15:16, 16:4-6, 25:1 e 6; 2 Crônicas 29:25, 28; Neemias 12:27; Salmo 33:1-3, 68:24-25, 71:22, 150:1-6; Apocalipse 14:1-3, etc.). Há quem argumente que sendo estes instrumentos incorporados como parte da adoração no templo, durante o período do Velho Testamento – e já que a adoração no templo foi abolida em Cristo – não existe a necessidade de instrumentos musicais nas igrejas hoje. Por outro lado, a crença mais comum é que os instrumentos de música (embora não requeridos) são permitidos. É esta segunda opinião que defendemos neste capítulo.
Este capítulo teve a maioria do conteúdo retirado do livro "Adorar em Espírito e em Verdade" por John M. Frame.
1. Os instrumentos, sem dúvida, foram usados na adoração no templo durante o Velho Testamento, mas também eram usados em outras ocasiões. Por exemplo, depois que Deus libertou a nação de Israel da escravidão egípcia e a fez atravessar o Mar Vermelho a salvo, o povo cantou ao Senhor o hino de Êxodo 15, sendo acompanhado evidentemente com tamboris (v. 20). Não era esta uma forma de adoração pública? Mas não foi um ritual do templo; aconteceu anos antes do templo ser construído.
2. Em nenhum lugar as Escrituras ensinam que cada parte do culto do templo foi abolida pela obra de Cristo. A lei – com o sacrifício de animais e cerimônias de adoração – se cumpriu em Cristo. O véu do templo se rasgou ao meio quando Jesus morreu (Mateus 27:51), indicando que um novo e vivo caminho se abrira à presença de Deus. O próprio templo foi destruído no ano 70 d. C. quando o exército romano conquistou Jerusalém. Mas muitas coisas associadas à adoração no templo são praticadas ainda hoje. Por exemplo: o templo era uma casa de oração (1 Reis 8:28-53; Isaías 56:7; Mateus 21:13) e um lugar onde Deus ouve os votos e confissões de Seu nome (1 Reis 8:31-33). Os sacrifícios de comida e bebida não fazem parte mais da adoração nas igrejas do Novo Testamento, mas as orações, votos, confissão e ensino, com certeza, ainda continuam. Portanto, não podemos argumentar plenamente que a adoração completa, como feita no templo, foi abolida.
3. Um propósito para o uso de instrumentos musicais no templo era guiar os cantores no louvor (2 Crônicas 29:26-28). O louvor é algo que continua claramente nas igrejas do Novo Testamento.
4. Às vezes, argumenta-se que as sinagogas judaicos no tempo de Jesus não usavam instrumentos musicais. Talvez seja verdade. Não queremos criticar as sinagogas judaicas. O próprio Senhor Jesus assistia costumeiramente os cultos na sinagoga (Lucas 4:16). Por outro lado, as Escrituras mantêm silêncio quanto à origem das sinagogas. Evidentemente, surgiram durante o cativeiro babilônico, mas não há indicação que Deus tenha dado instruções específicas para tal sistema. Em relação à música – seria interessante saber por que os instrumentos foram excluídos, mas já que não sabemos, devemos ter cautela ao pressionarmos a restrição dos mesmos nas igrejas de Deus.
5. Outra observação é que a maioria das igrejas que se recusam a usar instrumentos musicais ainda permitem o uso de flauta, a fim de fazer a congregação começar na nota correta. Mas se uma igreja usa um instrumento para ajudar o povo a achar a primeira nota, por que não usa também para achar a segunda e a terceira? E se a nota principal do soprano é dada, por que não as notas do contralto, do tenor e do baixo? E se os instrumentos podem reger a melodia e harmonia, por que não podem também ajudar a congregação a manter o ritmo e o tempo certos?
6. Por que Deus permitiria instrumentos musicais no templo e os proibiria nas igrejas? É lógico que Deus tem todo o direto de fazer o que Lhe agrada – mas geralmente não daria uma ordem nem a retiraria sem designar uma razão. Há quem especule que Deus permitiu uma forma mais complicada de adoração no Velho Testamento, com instrumentos e rituais específicos, por causa da imaturidade do povo e dureza de coração, mas prescreveu os cânticos espirituais sem acompanhamento no Novo Testamento, porque esse tipo de música é mais "simples" e "puro". Mas a Bíblia nunca disse isso! Ela nem sugere que cânticos sem acompanhamento sejam de algum modo mais simples ou mais puros do que os acompanhados com instrumentos, nem mesmo que uma simplicidade assim é exigida na adoração. Sem dúvida, as Escrituras nunca comparam o valor do cântico com acompanhamento com o do que não tem acompanhamento.
O argumento de rejeitar o uso de todos os instrumentos musicais nas igrejas – parece a este autor – é de um silêncio que não pode ser provado.
INSTRUMENTOS APROPRIADOS
CONTUDO... há questões legítimas sobre o tipo de instrumentos musicais apropriados e bíblicos. Aceitamos piano e órgão? E o que dizer de violão e banjo? E gaitas e flautas? Permitimos baterias e pandeiro? E trombetas e sinos? Não nos esqueçamos dos instrumentos caseiros? Qualquer tipo de instrumento é permitido?
Os instrumentos musicais indicados no tempo do Velho Testamento pertenciam a três grupos: cordas, sopro e percussão.
• Os instrumentos de corda eram principalmente as harpas e os saltérios – mas qualquer uma das palavras pode representar uma variedade enorme de instrumentos. Por exemplo: as harpas variavam de tamanho e estilo. Algumas talvez fossem enormes, mas a maioria era pequena e bem leve. Salmo 137:2 fala de pendurar as harpas nos salgueiros, indicando que elas não eram instrumentos grandes. Normalmente a harpa podia ser tocada enquanto era levada em procissões ou marchas (ver 1 Samuel 10:5; 1 Crônicas 13:7-7; Isaías 23:16). Certa Enciclopédia (The International Standard Bible Enclyclopedia) sugere que "instrumentos com arcos eram desconhecidos; as cordas eram tangidas com os dedos ou com um plectro". Não com arco! Os saltérios também possuiam muitas variedades: gaita de foles, alaúdes e instrumentos parecidos com o violão. O Salmo 33:2 parece indicar que alguns saltérios tinham dez cordas – provavelmente uns tinham mais e outros menos.
• Os instrumentos de sopro incluiam flautas, cornetas (trombetas) e órgãos. Mais uma vez, parece haver muita incerteza quanto às descrições, mas os órgãos (mencionados pela primeira vez em Gênesis 4:21) eram, sem dúvida, instrumentos simples de junco, de algum modo semelhante aos oboés de hoje – e feitos de madeira, marfim ou osso. Devia haver uma variedade de formas e estilos. As cornetas (trombetas) eram feitas geralmente usando-se os chifres de carneiros e bodes, mas pelo menos em uma ocasião, usava-se a prata (ver Números 10:1-10; Josué 6:4-7; Juízes 7:16-23). As gaitas eram variedades diferentes de flautas.
• Os instrumentos de percussão eram principalmente os tambores, tamboris e címbalos. Certa Enciclopédia (The International Standard Bible Enclyclopedia) sugere que no Velho Testamento os tambores eram usados em muitas ocasiões festivas, mas nunca são mencionados em conexão aos cultos divinos. Os címbalos, embora usados às vezes na adoração, eram usados principalmente pelos chefes da música (regentes do coral) como meio de reger (1 Crônicas 15:19).
Com toda honestidade, muitas igrejas hoje aumentaram tanto o volume que dá para rachar a parede do prédio da igreja. A Bíblia nos ensina a louvar "ao Senhor com harpa, cantai a Ele com saltério de dez cordas….. tocai bem e com JÚBILO"(Salmo 33:2-3). Mas, nesta época quando o som é amplificado eletronicamente e somos bombardeados por todos os lados, muitas vezes se torna impossível até pensar. Portanto, é a opinião deste autor que o uso de instrumentos musicais na adoração pública deve ser limitado em número – e com certeza o volume nunca deve chegar ao ponto de atrapalhar a adoração verdadeira que sobe do coração e da mente. Como já vimos antes, a adoração não é para exibição do homem – não é para ele aparecer nem ser admirado por sua capacidade artística. Nunca se deve permitir que os instrumentos transformem a adoração em divertimento. Jamais devem interferir no caráter espiritual da adoração.
Então, como vamos responder à pergunta sobre que tipos de instrumentos são permissíveis? Os instrumentos designados por Davi para serem usados na adoração eram os saltérios, as harpas, os címbalos, as cornetas e trombetas (1 Crônicas 15:16, 24, 28). Deviam ser tocados pelos sacerdotes e levitas. No reinado de Ezequias estas regras foram reiteradas em 2 Crônicas 29:25: "E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas".
Pessoalmente, então, (cada homem seja persuadido por si próprio), achamos que a Bíblia deixou estas diretrizes:
1. São permitidos instrumentos musicais das três categorias: cordas, sopro e percussão, na adoração pública.
2. Embora os instrumentos de percussão sejam permitidos, os tambores são notáveis por sua ausência na Bíblia. Estes instrumentos de percussão especificamente mencionados – principalmente os címbalos – eram provavelmente mais para o propósito de reger do que para enfatizar ritmo forte. É difícil ler na Bíblia o som alto e o ritmo forte.
3. Os instrumentos musicais devem ser tocados por pessoas espirituais que dão evidência de terem sido separadas pelo Senhor.
4. Os instrumentos musicais devem ser tocados para a glória do Senhor como acompanhamento à verdadeira adoração (2 Crônicas 29:27-29).

A BATERIA À LUZ DA ANTROPOLOGIA E DA BÍBLIA

A Bateria à Luz da Antropologia e da Bíblia

Vanderlei Dorneles
da Casa Publicadora Brasileira


Muitas pessoas entendem a polêmica do uso da bateria[1] no culto a partir da história da utilização de outros instrumentos por parte dos cristãos. Piano, violão e órgão tiveram um período de rejeição e mais tarde terminaram por ser aceitos como adequados à liturgia. O acompanhamento instrumental em si já foi considerado impróprio para a música litúrgica cristã, quando muitos consideravam que o único instrumento adequado à adoração é a voz humana. Da mesma forma, a bateria estaria hoje nesse período de questionamento que terminará com sua aceitação irrestrita dentro da igreja.

Mas será que os motivos da polêmica quanto ao uso da bateria são os mesmos dos demais instrumentos? Todos os instrumentos são iguais quanto ao seu potencial no louvor e na influência que exercem sobre a mente?

A proposta deste breve artigo é discutir um pouco do significado da bateria (ou tambor) nos cultos antigos e por que ela foi tirada do grupo de instrumentos usados no templo de Salomão. As fontes do estudo são trabalhos de pesquisadores e antropólogos sobre religião e a Bíblia. Interesse especial é dado à relação entre tambor e xamanismo (ou possessão). Essa relação seria mera superstição ou um fato ainda hoje vivido nos cultos pagãos?

Tambor e transe(topo)

Um estudo dos cultos de mistérios, das cerimônias nativas e dos rituais da África esclarecem que (1) a música ritual é basicamente o som do tambor, (2) essa música é acompanhada de dança e (3) o transe é o objetivo pretendido e alcançado com o ritual primitivo.

A religião primitiva tem no encontro (possessão) com a divindade seu clímax e sua "virtude". As leis e os hábitos mantidos por essas religiões têm que ver com a expectativa do encontro ou transe. Alimentos, atitudes ou hábitos que dificultam atingir o estado de transe são em geral proscritos.

O antropólogo Francisco Sparta, em seu livro A Dança dos Orixás: as relíquias brasileiras da Afro-Ásia pré-bíblica (São Paulo: Harder, 1970), discute amplamente a relação entre dança, tambor e transe. Ele diz que "o transe religioso é provocado pela preparação, pela reclusão, pelas mortificações, pelos banhos, pela dança, pelos tambores" (pág. 50). Falando da cerimônia dos orixás, Sparta diz que "as mulheres dançam, saltam e se agitam" e "os tambores acompanham excitando" a cerimônia e os corpos (pág. 35).

Definindo o culto dos orixás, Sparta afirma que "a música e a dança são os principais fatores dos fenômenos de possessão que se observam nestes cultos mágicos". "O ritmo violento dos tambores e a repetição intérmina dos cantos, produzindo fadiga de atenção e amortecimento conseqüente da consciência, levam iniciados a um verdadeiro estado de hipnose. ... A fadiga produzida pela dança prolongada, agravada pelo toque frenético de andarrum, condiciona o estado de vertigem que favorece a hipnose precursora do transe ou possessão" (pág. 57).

Num simpósio de psiquiatria transcultural, realizado em 1968 na Bahia e em seguida no Recife, o pesquisador William Sargant argumentou a favor da relação entre tambor e transe místico. Falou da "lavagem do cérebro", como efeito da música percussiva dos rituais de transe. Mostrou "cenas de possessão, filmadas em diferentes regiões da África e da América Latina" e insistiu que o transe "é provocado pela cadência da batidas de tambores". Como ilustração citou o caso "de mulheres, na Inglaterra, que haviam entrado em transe apenas escutando algumas gravações feitas por ele". Concluindo sua apresentação, Sargant afirmou que, "derivado do culto negro é o rock’and’roll, que provoca um efeito semelhante ao transe" (citado por Sparta, págs. 56 e 57).

O maior historiador das religiões, do século 20, o romeno Mircea Eliade, também sustenta a mesma idéia. Segundo ele, a obtenção de conhecimentos místicos, nas religiões primitivas, está sempre associada a um êxtase xamânico (ou seja, transe possessivo). Isso "explica a importância capital da música" nos rituais. "Os xamãs preparam o seu transe cantando e tocando tambor" (Mircea Eliade, História das Crenças e das Idéias Religiosas, Tomo I, Vol. II [Rio de Janeiro: Zahar, 1983], pág. 106). Aguiar Bastos, outro antropólogo, diz que "o tambor não é um simples instrumento de ritmo quanto à sua mais antiga tradição ligada às danças sagradas. Ele é, por sua vez, um instrumento de correspondência, isto é, de comunicação entre o homem e os seres misteriosos que governam a natureza" (Aguiar Bastos, Os Cultos Mágico-Religiosos no Brasil [São Paulo: Hucitec, 1979], pág. 99). Em seu mais respeitado trabalho sobre as religiões primitivas, Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase, Mircea Eliade acrescenta que "o tambor desempenha papel de primeira ordem nas cerimônias xamânicas. Seu simbolismo é complexo, suas funções mágicas são múltiplas". Ele é "indispensável ao desenrolar da sessão, seja por levar o xamã ao ‘Centro do Mundo’, por permitir que ele voe pelos ares, por chamar e ‘aprisionar’ os espíritos, seja, enfim, por que a tamborilada permite que o xamã se concentre e restabeleça o contato com o mundo espiritual que está prestes a percorrer" (Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase, pág. 194).

Na terminologia religiosa do paganismo, o indivíduo que incorpora uma divindade é muitas vezes chamado de "cavalo do orixá", ou seja, alguém em quem o espírito "cavalga". Dada a relação do tambor com os espíritos, também este instrumento é chamado de "cavalo do xamã" (Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase [São Paulo: Martins Fontes, 1998], pág. 199).

Som único(topo)

Eliade diferencia ainda o tambor dos demais instrumentos musicais que eventualmente tenham alguma participação nos rituais, como aquele que proporciona uma experiência de transe. "O tambor xamânico distingue-se justamente de todos os outros instrumentos da ‘magia do ruído’ por possibilitar uma experiência extática". O historiador acentua o fato de essa experiência ser "preparada, na origem, pelo encanto dos sons do tambor - encanto ao qual se atribui o valor da ‘voz dos espíritos’ - ou de a ela se ter chegado em decorrência da concentração extrema provocada por uma tamborilada prolongada". Ele conclui: "Uma coisa é certa: o que determinou a função xamânica do tambor foi a magia musical" (Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase, pág. 200).

As religiões antigas e os cultos nativos estão permeados da idéia do contato com os espíritos e da imortalidade da alma. O ritual é ocasião oportuna não apenas para a incorporação da divindade, mas também para o contato com o espírito dos mortos. Essas práticas foram claramente proibidas por Deus a Israel, tão comuns e difundidas que eram no mundo antigo. Mircea Eliade completa a descrição das propriedades mágicas do tambor como fundamento da ponte entre o ser humano e o mundo espiritual: "De qualquer modo, trata-se sempre de um instrumento (o tambor) capaz de estabelecer algum contato com o ‘mundo dos espíritos’. É preciso entender essa última expressão em seu sentido mais amplo, que engloba não apenas deuses, espíritos e demônios mas também as almas dos ancestrais, os mortos e os animais míticos. O contato com o mundo supra-sensível implica necessariamente concentração prévia, facilitada pela ‘inserção’ do xamã ou do mago em sua indumentária cerimonial e acelerada pela música ritual" (Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase, pág. 205).

Muitas pessoas ignoram esse lado místico do tambor, apesar da clara relação entre o instrumento e o transe místico ou fenômeno de possessão ou ainda perda da consciência. O motivo é que as crenças dos antigos têm sido caracterizadas como mera superstição. "A era da razão e a mentalidade científica já demonstraram que tudo isso é apenas mito", afirmam essas pessoas. No entanto, há uma consideração indispensável. O racionalismo qualifica como mito a religiosidade primitiva. E com isso, é fácil de concordar. Mas, da mesma forma que o racionalismo qualifica as crenças pagãs como mito, qualifica também a Bíblia, o poder da fé, o ministério e a ressurreição de Cristo. Logo, se a ciência não tem razão ao dizer que o cristianismo está fundado sobre mitos, também não deve estar certa quando quer desmistificar as demais religiões.

Quanto à relação entre som do tambor, danças e manipulação da mente, Ellen White colabora com a seguinte predição: "As coisas que descrevestes como tendo lugar em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ter lugar imediatamente antes do fim do tempo da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas" (Mensagens Escolhidas, vol. II [Casa Publicadora Brasileira], pág. 36). Acrescenta ainda que "Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, se devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente" (Ibid., pág. 37). O que ocorreu em Indiana foi um congresso, onde o louvor foi colaborado com o uso de tambores, ocorrendo algumas experiências de transe.

Quanto à função e ao uso difundido do tambor ou qualquer outro instrumento percussivo nas religiões primitivas ou pagãs, não parecem restar dúvidas. Sua função mística e a maneira como favorece a busca do transe ficam bastante claras mediante os textos citados. Possivelmente o que mais dificulta a compreensão do assunto por parte dos cristãos seja a menção do uso do tambor e de danças entre o povo de Israel.

O tambor na Bíblia(topo)

Após a passagem pelo mar Vermelho, Miriam e as mulheres de Israel dançaram ao som de tamboris[2] (Êxodo 15:20). Outras mulheres dançaram com tamboris após vitórias de Saul e Davi (1Samuel 18:6). O Salmo 149 (verso 3) incentiva a louvar ao Senhor com harpa e adufe[3].

A questão a ser respondida é: a menção de um costume mantido ou praticado pelos servos de Deus no passado é suficiente para autorizar o mesmo costume para todos os tempos e lugares? A resposta clara é "não". Pois, os servos de Deus no passado, sob a influência da cultura prevalecente, usaram bebida forte, tiveram mais de uma mulher e mantiveram escravos, entre outras coisas. Da mesma forma que a revelação posterior, corroborada por estudo e reflexão, iluminou esses fatos que aos poucos foram sendo eliminados, a questão da música também deve ser objeto de estudo para compreensão e juízo acertados.

Tanto a presença do tambor (ou da percussão) quanto a sua ausência em circunstâncias bíblicas específicas ajudam a indicar possíveis caminhos para a compreensão do assunto.

Tambores e danças foram usados em ocasiões festivas, celebradas com danças e muita alegria, segundo o costume da época (ver os textos citados acima). Na condução da arca de Quiriate-Jearim até a casa de Obede-Edom, houve música com tamboris e Davi dançou e se alegrou, ao ritmo da banda (1Crônicas 13:8 e 2Samuel 6:5). Nessa viagem, tudo deu errado. Os bois tropeçaram, a arca quase caiu e Uzá morreu ferido pelo Senhor (1Crônicas 13:8 e 2Samuel 6:5). Davi ficou triste e se perguntou: "Como trarei a mim a arca do Senhor?" (1Crônicas 13:12). Três meses depois, Davi juntou o povo para buscar a arca da casa de Obede-Edom. Desta vez, ele orientou que ninguém conduziria a arca, senão os levitas (1Samuel 15:2). Houve alegria, mas ao contrário da primeira tentativa, desta vez a orquestra não teve tambor, mas harpas, alaúdes[4] e címbalos[5] (1Crônicas 15:16). O transporte deu certo.

Davi quis fazer uma casa para Deus, mas não foi permitido. O rei era músico e Deus deu orientações a ele para que tomasse todas as providências para o templo, que Salomão edificaria. Entre essas orientações, Deus determinou os instrumentos (címbalos, alaúdes e harpas) que deveriam fazer parte da música do templo (2Crônicas 7:6 e 29:25). Davi fez instrumentos para serem usados pelos levitas. É significativo o texto de 2Crônicas 7:6, que diz: "...os levitas com os instrumentos músicos do Senhor, que o rei Davi tinha feito, para louvarem ao Senhor...". O artigo plural definido "os" indica um grupo específico de instrumentos, que ainda são qualificados como "do Senhor". Estes são os que Davi fez por ordem de Deus: címbalos, alaúdes e harpas. A lista desses instrumentos aparece em diversas ocasiões, sempre sem inclusão do tambor ou adufe (ver 1Crônicas 25:1 e 6, 16:5, 2Crônicas 5:12 e 13). Os únicos instrumentos que aparecem nas listas dos usados no templo, além dos que foram confeccionados por Davi, são as trombetas (2Crônicas 5:12 e 13 e 29:27).

A música que se fez no transporte da arca até Jerusalém, sem uso de tambores, foi chamada de "música de Deus" (1Crônicas 16:41 e 42), enquanto que a banda que deu o ritmo da dança, quando Uzá morreu, não recebeu essa adjetivação (ver 1Crônicas 13:8). No livro de Isaías, há juízos pronunciados contra pessoas que celebravam festas com embriaguez e música com tambores (ver Isaías 5:12 e 24:8 e 9).

Conclusões(topo)

O uso do tambor tem um propósito claro nos rituais nativos no sentido de preparar o adorador e atrair os espíritos ou orixás. Historiadores e antropólogos afirmam a função mágica da música produzida por ele em função do preparo do transe místico. A única base para se afirmar que a relação entre tambor e transe é supersticiosa é o ceticismo científico, que, contudo, não ignora a virtude da percussão em provocar estados alterados de consciência.

O estudo dos textos bíblicos que citam os instrumentos musicais esclarece que o tambor não fazia parte da música do templo, por orientação do próprio Deus a Davi. Sugere também que Deus não proibiu as cerimônias ou celebrações em que as pessoas tocavam tambor e dançavam. Embora não tenha sido reprovada por Deus, os fatos relacionados com o santuário indicam que aquela não era a música ideal para a adoração.

A exclusão do tambor no templo pode indicar também que esse instrumento, por sua relação direta com o misticismo pagão e por sua influência no sentido de embotar a consciência e o juízo, deveria estar fora do culto que requer a lucidez da mente para o conhecimento de Deus e compreensão de Sua vontade revelada.

Os textos bíblicos não afirmam que o uso da bateria ou do tambor seja pecaminoso, mas os textos de Isaías 5:12 e 24:8 e 9 e os fatos relacionados com o transporte da arca e com a música do templo deixam esse instrumento sem recomendação. À luz de toda a Escritura, o texto de Salmo 149:3 deve ser entendido como uma ordem para adorar a Deus, não como uma ordem para adorar com o adufe, já que muitos outros instrumentos são mencionados.

Uma vez que o templo de Israel era uma representação do santuário celestial e do trono de Deus, a música na igreja hoje deve ter sua referência maior na música usada nesse templo. Não só a música do templo, mas tudo a que se fazia ali reproduzia a ordem, a beleza e a perfeição do templo de Deus no Céu. O santuário terrestre representava o templo celestial feito pelo próprio Deus. Portanto, a música a ser executada ali perante o Senhor deveria ser diferente daquela usada nas festas comuns.

E na igreja hoje? Ellen White nos lembra que a assembléia dos filhos de Deus aqui na Terra (na igreja) tem o propósito de prepará-los para aquela assembléia mais solene ainda (no santuário celestial). Diz ela: "Para a alma crente e humilde, a casa de Deus na Terra é como que a porta do Céu. Os cânticos de louvor, a oração, a palavra ministrada pelos embaixadores do Senhor, são os meios que Deus proveu para preparar um povo para a assembléia lá do alto, para aquela reunião sublime à qual coisa nenhuma que contamine poderá ser admitida. Da santidade atribuída ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor Se propõe encontrar-Se com Seu povo" (Testemunhos Seletos, vol. II [Casa Publicadora Brasileira], pág. 193).

(topo)
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Notas:
[1] Conforme o dicionário Aurélio, bateria é a designação genérica do conjunto dos instrumentos de percussão de uma orquestra ou banda. (voltar)
[2] O tamboril é um instrumento de percussão, uma espécie de cítara com seis cordas percutíveis com uma baqueta, e que serve para acompanhar as danças regionais das Vascongadas (Espanha) e do Béarn (França). O executante percute as cordas com a baqueta na mão direita, e com a esquerda toca o galubé. Também pode indicar a própria dança provençal ritmada pelo tamboril. (voltar)
[3] O adufe é uma espécie de pandeiro (percussivo) quadrado sem soalhas, feito de madeira leve, e com pele retesada dos dois lados. Ou um antigo pandeiro quadrado, de madeira, com dois tampos de pergaminho, que encerram fieiras de soalhas. (voltar)
[4] O alaúde é um antigo instrumento de cordas dedilháveis, de origem oriental, com a caixa de ressonância sensivelmente abaulada, sem costilhas e em forma de meia pêra, e com a pá do cravelhame inclinada, formando ângulo quase reto com o braço longo. (voltar)
[5] Címbalo é a designação de um antigo instrumento de cordas ou um instrumento constituído por dois meios globos de metal que se percutiam um contra o outro; como pratos.

BATUQUE À BEIRA MAR

Batuque à Beira-Mar[1]
Adrian Theodor

"Se a luz brilha em nossos dias, devemos recebê-la, apreciá-la e andar na luz... Não podemos comparar a situação em que estamos com a de pessoas sinceras que, no passado, viveram segundo a luz que possuíam. (...) Devemos prestar contas da luz que brilha em nossos dias. Seria insensatez desculpar nossa transgressão da lei de DEUS porque pessoas boas em gerações passadas não a guardaram devidamente. (...) Nunca é seguro permanecermos indiferentes à luz[2]".
Na Bíblia são encontrados, ao todo, 18 versos que citam os seguintes instrumentos de percussão: adufe (06), tamboril ou tambor (11) e pandeiro (1).[3] Todos esses versos estão no Antigo Testamento e não há nenhuma menção deste tipo de instrumento no Novo Testamento. Tal constatação poderia nos levar a conclusões precipitadas, tais quais: "Vejam! A percussão era apenas usada no velho testamento, agora está abolida"; ou: "Assim como os rituais do antigo santuário foram abolidos, o uso de instrumentos de percussão nos são proibidos".
O uso de instrumentos no contexto bíblico tem sido enormemente debatido, por isso deve ser tratado com bastante cautela. O presente artigo não pretende esgotar o assunto do uso de instrumentos de percussão em todo o contexto bíblico, mas apenas tentar desmistificar algumas conclusões apressadas acerca de uma personagem bíblica: Miriã (ou Miriam, em algumas traduções)[4].
O contexto a ser retomado é muito simples e deveras conhecido de muitos: a libertação do povo de Deus dos anos de servidão no Egito e a triunfal travessia do Mar Vermelho (com base em Êxodo 14 e 15:1-21). Após esta miraculosa travessia – na qual o povo de Deus é salvo e todo o exército egípcio submerso – a Bíblia nos apresenta um dos textos mais bem escritos, poéticos e belos da história da humanidade: o "Cântico de Moisés". Nele Deus é louvado, glorificado e adorado por Seu triunfo contra o opressor. Ao todo, 19 versos são dedicados a este poema do qual, infelizmente, não conhecemos os registros musicais. Em contrapartida, na seqüência, dois pequenos versos são dedicados à expressão de júbilo da irmã de Moisés, Miriã:
"A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Miriã lhes respondia: ‘Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou, e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro’" (Êxodo 15:20-21). E estes dois pequenos versos, colocados logo após o longo cântico de Moisés, foram suficientes para conclusões precipitadas e infundadas. Entre elas: "O uso de instrumentos de percussão, como os pequenos tambores de Miriã, são permitidos hoje dentro da igreja. Se Miriã (que até é chamada de profetisa pela Bíblia) usou-os, eu também posso!". Será? Vamos por partes.
Em primeiro lugar é preciso corrigir um equívoco bastante comum naqueles que tratam das expressões de louvor dos filhos de Deus logo após a saída do Egito: Miriã não estava completamente equivocada em sua expressão de regozijo oferecida ao Senhor. Ao perceber-se livre, após sucessivas operações milagrosas de Jeová, ela cantou (a plenos pulmões, estou certo) sinceramente e alegremente aquilo que era, para ela, o melhor a ser oferecido a Deus: poesia, tamborins e dança. Sinceridade não é pecado. Todavia, Deus, em Sua Sabedoria e Paciência, iria mostrar o quanto a sinceridade impensada poderia custar caro; nem que, para isso, precisasse esperar toda a vida de Miriã.
Em segundo lugar, devemos atentar para o fato de que versos bíblicos (grandes ou pequenos) não estão sozinhos na Bíblia, sim associados a um contexto maior. Mais do que isso: versos bíblicos não foram deixados na Escrituras Sagradas "à toa", estão lá por algum propósito dentro dos desígnios de Deus. Assim, por que estariam exatamente na seqüência o cântico de Moisés e o de Miriã? Estaria Deus preparando uma comparação entre estas personagens? Vejamos:
Quem fora Moisés? Penso ser redundante tratar de Moisés em meio aos cristãos, que o conhecem desde o "berço". Limito-me a citar Paulo aos Hebreus: "Pela fé ele abandonou o Egito nem ficou amedrontado pela cólera do rei; antes permaneceu firme como aquele que vê aquele que é invisível" (Hebreus 11:27). De príncipe egípcio a libertador do povo de Deus! E Miriã?
Miriã (a mesma chamada de profetisa no verso 20 de Êxodo 15) é-nos apresentada, em Números 12, de forma um tanto quanto diversa. Moisés tomara para si uma mulher estrangeira. Miriã, ao lado de Arão, zelando pelos bons costumes e pelas leis de Deus, fala com duras palavras contra Moisés, perguntando: "Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós?" (Números 12:2). Miriã acintosamente protesta por sua posição de profetisa. Mais uma vez esteve correta em sua sinceridade, equivocada em seus métodos. A seqüência da narrativa nos revela quem Deus escolhera efetivamente como Seu profeta:
"Então o Senhor desceu em uma coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã, e os dois acudiram. Então disse: Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, a ele me farei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele. Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa; boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés? Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou; também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã se tornara leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã e eis que estava leprosa. Pelo que Arão disse a Moisés: Ah, meu senhor! rogo-te não ponhas sobre nós este pecado, porque procedemos loucamente, e pecamos" (Números 12:5-11).
Os versos de Números são bastante enfáticos: Moisés era o profeta de Deus, não Miriã. É bastante provável que (e aqui estamos no campo da conjectura) Miriã fosse conhecida como profetisa em seus tempos de escravidão (e até, quem sabe, usada nesse papel por Deus) e Deus estivesse agora mostrando a verdadeira posição das coisas. Vejam: a ira de Deus não se levantou sobre Miriã por ela ter sido zelosa para com Sua lei, mas sobre seus métodos precipitados e imponderados. "Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?", disse Deus. A crítica de Miriã tinha fundamentos teológicos: fora proibido por Deus o casamento entre os Seus filhos e os "filhos dos homens". Todavia fora construída sob panos de precipitação, sedição e ciúme.
Desta forma, podemos perceber que Miriã não pode ser tomada cegamente como exemplo de conduta (a não ser que queiramos conhecer a ira de Deus). Seria muito mais sensato tomar exemplos da vida de Moisés. Se Miriã foi mesmo sincera ao louvar a Deus com poesia, batuques e danças; Moisés foi além e demonstrou que não apenas sinceridade é suficiente para a verdadeira adoração de Deus. Moisés, desde muito cedo, conseguiu colecionar uma série de características do que deve ser a adoração a Deus. E Miriã levou a vida toda para compreender algumas essenciais: diálogo diário e face a face com Deus; reverência; reflexão e, finalmente, paciência.
Deste modo, o debate sobre o uso instrumental no culto a Deus deveria tomar outros rumos que não a justificativa da percussão baseada no exemplo de Miriã. A abordagem teológica da vida de Miriã, como exposta acima, somente nos desaprova tomá-la como exemplo. Nesta "biografia" vemos precipitação, sinceridade impensada e castigo. Mais do que isso: vemos um comportamento carregado de "Egito". E, assim como Miriã, somos pecadores imersos em um contexto pagão, necessitados infinitamente da justificação em Cristo. Todavia, ao contrário de Miriã, assim como Moisés, devemos refletir um pouco mais antes de tomarmos decisões com respeito ao culto de Deus (que deve ser Santo como Ele).
Só para acrescentar, Ellen White assim comenta a morte de Miriã: "Ali morreu Miriã e foi sepultada. Daquela cena de júbilo nas praias do Mar Vermelho, quando, com cântico e danças para celebrar a vitória de Jeová, saiu Israel, até à sepultura no deserto, a qual acabou com o peregrinar de toda a sua vida - tal foi a sorte de milhões que com grandes esperanças haviam saído do Egito. O pecado lhes arrebatara dos lábios a taça de bênçãos. Aprenderia a lição a geração seguinte?" [5] Ou seja, Miriã foi colocada como um exemplo não exatamente positivo. Na verdade, foi colocada como uma lição a ser aprendida (evitada) pelas gerações seguintes.
Mais do que isso: se o debate gira em torno do uso instrumental no contexto da música de adoração a Deus, por que tomar o exemplo de Miriã, que nem mesmo estava dentro do Templo?
Portanto, se o problema em questão é o uso instrumental na música sacra (como poderia ser o sexo, o sábado, ou qualquer outra questão de viés teológico), a oração e a leitura da Escritura Sagrada devem ser nossos únicos instrumentos na hora de tomar decisões. E, após as orações e leituras, devem-se retirar os exemplos mais adequados.
Para este caso, penso que o melhor exemplo é a construção do Templo de Salomão, segundo as ordens dadas por Deus a Davi. Ali houve uma séria seleção em termos de liturgia, funções, símbolos, materiais e música. E, dentro desta seleção feita pelo próprio Deus, quais os instrumentos usados no Templo? Houve algum instrumento que, apesar de usado pelo povo, fora excluído dos serviços de adoração no interior do Templo? Tambores, adufes e pandeiros, apesar de mencionados no Antigo Testamento, faziam parte destes serviços de adoração? Não? Por quê?
Se alguém estiver interessado nas respostas, poderá ler os sucessivos relatos da construção do templo por Salomão, em I Crônicas 22, 23, 24, 25. Mas, antecipadamente, para respondermos às inquietações iniciais do presente artigo, declaramos: o uso da percussão não foi abolido no Novo Testamento simplesmente porque nunca foi permitido. Boa leitura!
"E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do [Cordeiro], dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos" (Apocalipse 15:3).